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Castlevania

Castlevania é um jogo de ação e plataforma para Famicom Disk System, no qual o jogador controla Simon Belmont em uma jornada pelo castelo de Drácula. Desenvolvido pela Konami, com direção de Hitoshi Akamatsu, o jogo foi influenciado por filmes de terror clássicos e recebeu críticas positivas, sendo bem avaliado pela Famitsu e pela Computer and Video Games.

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Jogabilidade e design

Castlevania é um típico jogo de ação e plataforma, no qual o jogador controla o caçador de vampiros Simon Belmont, atravessando o castelo de Drácula em uma jornada cheia de desafios. O jogo é dividido em seis áreas, cada uma com três fases, totalizando dezoito fases. O design das fases foca em saltos, escaladas e combate, com Simon atravessando cenários como muralhas, torres de relógio e catacumbas, até enfrentar Drácula no topo do castelo. Essa divisão em áreas dá ao jogo um ritmo progressivo, mantendo a coesão geral.

A arma principal de Simon é o chicote mágico 'Vampire Killer', que tem alcance limitado e causa um pequeno atraso ao balançar, exigindo que o jogador antecipe a posição dos inimigos e o momento do ataque. As armas secundárias incluem faca, machado, água benta, relógio de bolso e cruz, cada uma com trajetórias e efeitos diferentes, mas todas consomem ícones de coração, obtidos ao destruir velas ou derrotar inimigos. Esse gerenciamento de recursos força o jogador a pesar o uso das armas secundárias durante o combate, adicionando profundidade estratégica.

O jogo introduz um sistema de pontos de vida: Simon perde vida ao sofrer dano, e o jogo termina se a vida chegar a zero. Cada fase tem um limite de tempo, e estourar o tempo também encerra o jogo, o que obriga o jogador a ser eficiente tanto na exploração quanto no combate. Nas fases, há itens de recuperação escondidos, como carne assada e coxas de frango, que podem ser encontrados ao quebrar paredes ou velas específicas, oferecendo um respiro em meio à tensão. O sistema de pontuação incentiva o jogador a derrotar mais inimigos e coletar tesouros para buscar uma avaliação mais alta.

No final de cada área, há uma batalha contra um chefe, que é um monstro clássico de filmes de terror, como morcego, Medusa, Frankenstein e a Morte. Esses chefes têm padrões de ataque variados, exigindo que o jogador observe seus movimentos e use as armas secundárias e o chicote de forma estratégica. O design das batalhas contra chefes não só testa a habilidade do jogador, mas também cria uma forte sensação de opressão, proporcionando grande satisfação ao derrotar esses adversários poderosos.

O jogo é bastante difícil, com inimigos densamente distribuídos, plataformas com pouca margem de erro e o atraso no ataque do chicote, o que faz com que jogadores novatos precisem tentar várias vezes para progredir. Mas é exatamente esse estilo hardcore que fez de Castlevania um destaque entre os jogos de ação, tornando-se sinônimo de desafio. O jogo não possui sistema de save (exceto na versão para Famicom Disk System), exigindo que o jogador complete tudo de uma vez ou use senhas para continuar, o que reforça ainda mais sua natureza hardcore.

Contexto e lançamento

Castlevania foi lançado em 26 de setembro de 1986 no Japão para o Famicom Disk System, com o título japonês 'Akumajō Dracula'. Na época, o Famicom Disk System havia sido lançado recentemente, e sua mídia regravável permitia salvar o progresso, o que era conveniente para jogos longos como Castlevania. O jogo foi desenvolvido e publicado pela Konami, sendo o primeiro da série Castlevania, estabelecendo o universo e a jogabilidade básica da franquia.

Em 30 de abril de 1987, o jogo foi lançado na América do Norte para o NES com o título 'Castlevania', e a versão europeia saiu em 1988. A mudança de nome no Ocidente está ligada a Emil Heidkamp, vice-presidente sênior da Konami nos EUA, que achou que o termo 'Dracula' no título original poderia ter conotações religiosas e causar controvérsia. Por isso, o título foi alterado para 'Castlevania', uma combinação de 'castelo' e 'Transilvânia'. Essa mudança não apenas evitou problemas potenciais, mas também moldou a imagem clássica da série no mercado ocidental.

Em 1993, o jogo foi relançado no Japão para o Famicom em formato de cartucho. Essa versão removeu a tela de registro inicial e o recurso de save da versão original, e adicionou um modo 'fácil', reduzindo a dificuldade para que mais jogadores pudessem aproveitar. Essa versão difere significativamente da versão para Famicom Disk System em termos de funcionalidades, mas mantém a jogabilidade central, oferecendo outra forma de acesso ao jogo para os jogadores japoneses.

Além das versões para consoles domésticos, o jogo também ganhou uma versão para arcade, intitulada 'VS. Castlevania', publicada pela Nintendo em abril de 1987. A versão arcade foi baseada na versão NES, mas teve a dificuldade e os controles ajustados para o ambiente de fliperama, e suportava dois jogadores alternando. Em 2019, a Hamster Corporation a incluiu na série Arcade Archives, relançando-a para Switch e PS4, permitindo que jogadores modernos experimentem o charme único da versão arcade.

O jogo foi um sucesso comercial desde o lançamento, vendendo mais de um milhão de cópias, o que estabeleceu uma base sólida para o desenvolvimento da série. Seu sucesso não se deve apenas às vendas, mas também ao fato de ter criado um modelo que combinava terror gótico com ação, influenciando inúmeros jogos semelhantes depois. Do Famicom Disk System ao NES, passando pela versão arcade e o relançamento, a evolução das versões de Castlevania também reflete a transição da indústria de jogos da mídia magnética para a mídia em cartucho.

Desenvolvimento

O diretor de Castlevania foi Hitoshi Akamatsu, que foi fortemente influenciado por filmes de terror clássicos e queria que os jogadores sentissem uma atmosfera semelhante à de filmes como 'Drácula'. Essa abordagem cinematográfica se reflete no design dos cenários, nos modelos dos inimigos e no estilo musical: o interior do castelo é sombrio e sinistro, os inimigos são monstros clássicos como vampiros, lobisomens e múmias, e a trilha sonora tem melodias góticas, criando uma forte sensação de terror.

O nome do protagonista, Simon Belmont, passou por algumas mudanças. Inicialmente, ele foi concebido como Peter Dante, neto de Christopher Dante, mas depois a equipe de desenvolvimento decidiu mudá-lo para Simon Belmont. Essa mudança não apenas tornou o nome do personagem mais distinto, mas também estabeleceu a família Belmont como uma linhagem hereditária de caçadores de vampiros, preparando o terreno para os jogos futuros da série.

Durante o desenvolvimento, a equipe planejou permitir que o chicote atacasse em várias direções e projetou armas secundárias como alho, estaca de madeira e transformação em lobisomem, mas essas ideias não foram implementadas. O chicote acabou atacando apenas horizontalmente, e as armas secundárias foram reduzidas a cinco, mas foi essa simplificação que tornou o controle mais focado, exigindo que o jogador calculasse com precisão o momento e a distância do ataque, aumentando o desafio e a profundidade do jogo.

Castlevania foi desenvolvido simultaneamente com 'Vampire Killer' para MSX2, que foi lançado um mês depois, com o mesmo nome no Ocidente. Embora compartilhem o mesmo universo e alguns personagens, a jogabilidade é bem diferente: a versão MSX2 foca mais em exploração e coleta de itens, com fases não lineares. Portanto, a versão MSX2 é considerada um jogo independente, não um port de Castlevania, e esse desenvolvimento paralelo reflete a flexibilidade da estratégia multiplataforma da Konami na época.

O jogo aproveitou ao máximo as características de hardware do Famicom Disk System, como a capacidade de leitura/gravação do disco que permitia salvar o progresso, e a versão para o sistema incluía uma tela de registro inicial onde o jogador podia digitar seu nome. Esses recursos foram removidos no relançamento em cartucho de 1993, pois o cartucho não tinha capacidade de save. Além disso, a equipe de desenvolvimento caprichou na música e nos gráficos, usando os recursos limitados do Famicom para criar uma experiência audiovisual impressionante, que se tornou uma das representações do nível técnico da época.

Recepção e legado

Castlevania recebeu críticas positivas da mídia desde o lançamento. A revista japonesa 'Beep' elogiou os gráficos e o controle, mas achou o jogo curto; a 'Famitsu' deu uma nota alta e o classificou como o jogo mais bem avaliado de 1986. A mídia ocidental, como a 'Computer and Video Games', também elogiou em 1989, destacando as grandes áreas do jogo e os detalhes, embora tenha feito algumas ressalvas sobre os gráficos chamativos. Essas avaliações estabeleceram a base da reputação do jogo.

O jogo também foi um sucesso comercial, vendendo mais de um milhão de cópias, tornando-se um dos títulos de destaque da Konami. Sua influência não se limita às vendas, mas também ao fato de ter estabelecido um padrão de design para jogos de ação. Em 2001, a 'Game Informer' o classificou como o 48º melhor jogo de todos os tempos, afirmando que sua jogabilidade estabeleceu um padrão para a indústria; a IGN o listou como o 19º melhor jogo de NES, elogiando sua dificuldade, jogabilidade, música e gráficos. Essas avaliações retrospectivas consolidaram ainda mais seu status de clássico.

Castlevania deixou uma influência duradoura nos jogos subsequentes, especialmente em 'Ninja Gaiden' (1988), que se inspirou em elementos como itens e habilidades especiais. Essa influência não se restringiu à Konami, mas se espalhou por todo o gênero de ação, com muitos jogos posteriores se inspirando em Castlevania, como o sistema de armas secundárias, o design de batalhas contra chefes e o estilo gótico dos cenários. Pode-se dizer que ele criou um subgênero e continua inspirando desenvolvedores até hoje.

O jogo foi portado e incluído em várias coletâneas, mostrando sua vitalidade duradoura. Em 2002, foi incluído na versão para Windows de 'Konami Collector's Series: Castlevania & Contra'; em 2004, foi lançado para Game Boy Advance como parte da série 'Classic NES Series', mas com os créditos finais removidos; em 2016, apareceu entre os 30 jogos do NES Classic Edition. Além disso, foi incluído no 'Castlevania Anniversary Collection', com a versão japonesa usando o port de 1993 para Famicom, enquanto a versão japonesa do Virtual Console usou a versão do Famicom Disk System.

Apesar de sua idade, o jogo ainda ocupa um lugar especial no coração dos jogadores. Em 2011, a IGN, em uma retrospectiva de 25 anos, o chamou de 'esquecido', mas essa afirmação acabou gerando um novo interesse dos jogadores pelo primeiro título. No Metacritic e no GameRankings, a versão 'Classic NES Series' tem médias de 74/100 e 71%, respectivamente, que não são altíssimas, mas considerando seu significado histórico, essas pontuações refletem o reconhecimento dos jogadores por um clássico. Como ponto de partida da série, Castlevania não apenas abriu caminho para os jogos seguintes, mas também se tornou uma marca indelével na história dos videogames.

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