Jogabilidade e design
A jogabilidade central de Donkey Kong 64 gira em torno de cinco personagens jogáveis, cada um com habilidades e armas únicas. Donkey Kong é forte e usa a arma de coco; Diddy Kong é ágil e usa a arma de amendoim; Tiny Kong pode escalar e usa a arma de uva; Chunky pode nadar e usa a arma de abacaxi; e Lanky pode ficar invisível e usa a arma de pena. Os jogadores precisam alternar entre os personagens constantemente, usando suas habilidades para resolver quebra-cabeças e abrir caminhos, o que torna a exploração cheia de variedade.
A coleta de itens é o foco absoluto do jogo. Pela ilha, estão espalhados bananas coloridas, bananas douradas, moedas de banana e muitos outros colecionáveis, cada um com uma função diferente. Por exemplo, as bananas douradas são a chave para desbloquear novas áreas. Além disso, o jogo esconde vários minigames, como arremesso, tiro e corrida, que oferecem recompensas extras ao serem concluídos. Esse design garante que sempre haja algo para fazer além da história principal, mas também deixa o ritmo do jogo bem intenso.
O modo multijogador é um dos grandes destaques, permitindo que até quatro jogadores compitam na mesma tela. Os modos incluem seis minigames, como deathmatch, último sobrevivente e rei da colina. Os jogadores podem escolher personagens diferentes e batalhar em arenas especialmente projetadas. Embora esses modos sejam simples e diretos, são muito divertidos quando se joga com amigos e aumentam bastante o valor de repetição do jogo.
O jogo também traz versões completas e escondidas de Donkey Kong e Jetpac, que podem ser jogadas ao encontrar os fliperamas no mundo do jogo. Curiosamente, para completar toda a história de Donkey Kong 64, o jogador precisa zerar esses dois jogos antigos. Essa decisão era bem ousada para a época e mostra o respeito da Rare pelos jogos retrô.
O design de mundo aberto também merece destaque. A Ilha DK é dividida em várias áreas, cada uma com temas e quebra-cabeças únicos. Os jogadores podem explorar livremente, mas precisam coletar bananas douradas suficientes para desbloquear novas regiões. Essa estrutura incentiva a exploração repetida, mas também recebeu críticas por exigir que o jogador volte várias vezes aos mesmos lugares.
Contexto e lançamento
Donkey Kong 64 foi lançado em 22 de novembro de 1999 na América do Norte e em dezembro em outras regiões, sendo um título importante do fim da vida do Nintendo 64. Na época, o N64 já tinha grandes jogos 3D como Super Mario 64 e The Legend of Zelda: Ocarina of Time, e a série Donkey Kong era conhecida por seus jogos de plataforma 2D. Portanto, este lançamento marcou a estreia da clássica franquia no mundo 3D.
O jogo se tornou o título mais vendido da Nintendo na temporada de fim de ano de 1999, com um desempenho impressionante. Segundo estatísticas, até 2021, o jogo vendeu 5,27 milhões de cópias no mundo todo, um número considerado acima da média para o N64. A Nintendo investiu US$ 22 milhões em marketing para o jogo, incluindo comerciais de TV, sorteios e uma turnê nacional, mostrando a grande expectativa da empresa.
O jogo já chamava atenção antes do lançamento e ganhou o prêmio de Melhor Jogo de Plataforma no E3 de 1999, escolhido pelos críticos. No entanto, após o lançamento, as opiniões dos críticos se dividiram. Alguns elogiaram os gráficos, a escala e o conteúdo, enquanto outros criticaram o controle de câmera e o excesso de itens colecionáveis. Essa controvérsia acompanhou o jogo por muito tempo.
Na história da série, Donkey Kong 64 é o primeiro jogo 3D do Donkey Kong, mas não foi o primeiro jogo de plataforma 3D da indústria. Ele se inspirou no design de mundo aberto de Banjo-Kazooie, mas com uma ênfase maior na coleta, um estilo que depois ficou conhecido como 'collect-a-thon'. O sucesso do jogo também influenciou a Nintendo a manter algumas dessas ideias em títulos posteriores.
Vale mencionar que este foi o último jogo do Donkey Kong desenvolvido pela Rare antes de a empresa ser comprada pela Microsoft em 2002. Depois disso, a série Donkey Kong ficou vários anos sem novos jogos, até o lançamento de Donkey Kong Bananza em 2025, que trouxe um novo jogo de plataforma 3D. Isso torna Donkey Kong 64 um título especialmente único na franquia.
Desenvolvimento
O desenvolvimento de Donkey Kong 64 começou em 1997, com uma equipe de 16 pessoas na Rare, e levou três anos para ser concluído. Muitos membros da equipe vieram do projeto de Banjo-Kazooie, então o jogo herdou várias características do motor e da jogabilidade de Banjo. Inicialmente, o jogo foi concebido como um plataforma 2.5D, parecido com Donkey Kong Country, mas depois decidiram usar o motor de Banjo-Kazooie para criar um verdadeiro mundo aberto 3D.
A ênfase na coleta de itens não foi por acaso, mas sim uma exigência de Tim Stamper, cofundador da Rare. Ele queria que Donkey Kong 64 se diferenciasse de Banjo-Kazooie, então transformou a coleta no núcleo da jogabilidade. Essa decisão influenciou diretamente o design do jogo e fez do 'collect-a-thon' a marca mais marcante do título, embora depois tenha gerado muitas críticas.
O jogo foi um dos primeiros a exigir o Expansion Pak do Nintendo 64, que vinha incluso na compra do jogo. O Expansion Pak aumentava a memória do console, melhorando a resolução e os detalhes gráficos, mas também impedia quem não tivesse o acessório de jogar. Essa prática gerou discussões na época, mas também ajudou a popularizar o acessório.
Os modelos dos personagens foram criados do zero, usando polígonos em vez de modelos pré-renderizados, e a equipe usou uma nova ferramenta chamada Gamegen. O diretor do jogo, George Andreas, lembrou que Shigeru Miyamoto ficou chocado ao ver Donkey Kong usando uma espingarda e desenhou um esboço de uma arma de coco. Esse detalhe foi incorporado ao jogo e se tornou a arma icônica do personagem.
O jogo também tinha um recurso chamado 'Stop and Swap', mas a Nintendo pediu que fosse removido por medo de danificar o console. Esse recurso permitiria que os jogadores trocassem conteúdo entre cartuchos, mas acabou sendo cancelado. Além disso, o jogo não foi lançado no Virtual Console do Wii, por razões desconhecidas, possivelmente relacionadas a direitos autorais, até ser relançado no Virtual Console do Wii U em 2015.
Recepção e legado
Donkey Kong 64 foi um sucesso comercial após o lançamento, mas a recepção da crítica foi polarizada. Os críticos geralmente elogiaram os gráficos, a escala e o conteúdo, dizendo que o jogo mostrava o potencial do hardware do N64. No entanto, o controle de câmera e o excesso de coleta e retrocesso foram os principais pontos negativos. Alguns jogadores achavam o jogo cansativo, e essa controvérsia influenciou o design de jogos de plataforma 3D posteriores.
O jogo é considerado um representante do gênero 'collect-a-thon', que enfatiza uma grande quantidade de itens colecionáveis e exploração. No entanto, esse estilo foi apontado como um dos motivos para o declínio da popularidade dos jogos de plataforma 3D. Muitos críticos acreditam que a coleta em Donkey Kong 64 era extrema demais, cansando os jogadores, e essa tendência foi gradualmente corrigida em jogos seguintes, que passaram a focar mais no design de fases.
O 'DK Rap' é um dos elementos mais controversos do jogo. Essa música de rap cômica, tocada na abertura, foi composta por Grant Kirkhope e foi eleita por várias publicações como uma das piores músicas de jogos. Mas, com o tempo, ela se tornou um meme na internet, sendo amplamente compartilhada e parodiada. A música também apareceu em Super Smash Bros. Melee, tornando-se parte da cultura dos jogos.
O jogo foi o último título do Donkey Kong feito pela Rare, que depois foi adquirida pela Microsoft, e a série Donkey Kong ficou estagnada por um tempo. Somente em 2025, com Donkey Kong Bananza, é que um novo jogo de plataforma 3D foi lançado, o que dá a Donkey Kong 64 um papel de ponte entre o passado e o futuro da série. O jogo foi relançado no Virtual Console do Wii U em 2015 e, em 2026, entrou para o serviço Nintendo Classics, permitindo que novos jogadores o experimentem.
No geral, Donkey Kong 64 é um jogo que carrega as marcas de sua época. Ele foi uma aposta ousada no mundo aberto 3D e na coleta de itens, e, apesar dos defeitos, serviu de aprendizado para os jogos de plataforma seguintes. Sua influência vai além do design, alcançando fenômenos culturais como o 'DK Rap', e ele é uma parte inegável da era do Nintendo 64.







