Jogabilidade e design
O recurso mais marcante de Dragon Quest V é o sistema de monstros companheiros. Após as batalhas, às vezes um monstro se oferece para se juntar ao grupo, quebrando a convenção de que monstros são apenas inimigos. Os jogadores podem levar esses monstros em suas aventuras, e eles participam das lutas e ganham experiência como qualquer outro aliado. Na versão para Super Nintendo, 40 tipos de monstros podem se tornar companheiros. Esse conceito virou uma marca registrada da série e fez da coleta e do treinamento de monstros uma diversão que os jogadores adoram comentar.
Em termos de combate, o jogo mantém o sistema de turnos tradicional da série, com visão em primeira pessoa: você vê apenas os inimigos, não o seu grupo. No entanto, o grupo ganhou um sistema de carruagem prático, que permite deixar membros fora da batalha e trocá-los quando quiser. O sistema de táticas também continua, permitindo definir a IA de cada aliado, como focar em cura, atacar com tudo ou economizar MP, para não precisar dar comandos manuais a cada turno e tornar as lutas mais tranquilas.
Este é também o primeiro jogo da série a incluir uma masmorra secreta. Após zerar o jogo, você pode entrar em uma masmorra extra com inimigos mais fortes e tesouros raros. Essa ideia era novidade na época, dando aos jogadores um motivo para continuar desafiando após a campanha, e depois se tornou comum na série Dragon Quest. Para quem gosta de explorar, a masmorra secreta é uma surpresa e tanto.
Quanto ao tamanho do grupo, a versão para Super Nintendo permite apenas três membros ativos, mas nos remakes para PS2 e DS esse limite subiu para quatro. Essa diferença de um personagem pode parecer pequena, mas muda bastante a estratégia e o equilíbrio das batalhas. No original, com menos gente, o ritmo é mais intenso; nos remakes, você pode levar mais personagens favoritos e montar equipes mais flexíveis.
A história do jogo é épica, acompanhando o protagonista desde a infância até o casamento e a paternidade, com uma linha do tempo de trinta anos. Esse tipo de narrativa geracional era raro em RPGs na época, e os jogadores veem o herói crescer de menino a pai, e depois aventurar-se ao lado dos próprios filhos. O enredo também inclui a escolha da noiva: você pode se casar com Bianca ou com Nera (Flera), e essa decisão afeta alguns diálogos e eventos, dando a sensação de que suas escolhas realmente mudam a história.
Contexto e lançamento
Dragon Quest V foi lançado originalmente em 1992 para o Super Nintendo, mais de dois anos após o quarto título da série. Como o primeiro jogo da franquia para o SNES, ele aproveitou o poder do novo console para melhorar bastante os gráficos e a música. No entanto, o jogo não foi lançado na América do Norte na época, tornando-se o único da série clássica sem versão oficial em inglês; os jogadores ocidentais só puderam jogá-lo anos depois, com o remake para Nintendo DS.
No dia do lançamento no Japão, a empolgação dos fãs foi impressionante. As fitas do jogo voaram das prateleiras, vendendo mais de 1,3 milhão de cópias no primeiro dia, superando até mesmo a versão SNES de Street Fighter II lançada no início do mesmo ano. As pré-vendas já somavam 300 mil unidades, e as filas nas lojas chegaram a 3 milhas de comprimento, com dez ocorrências de roubo de cartuchos. Esse cenário é difícil de imaginar hoje em dia, mas mostra a enorme influência de Dragon Quest no Japão naquela época.
Em 2004, um remake para PlayStation 2 foi lançado, desenvolvido pela ArtePiazza e Matrix Software. Essa versão trouxe gráficos totalmente 3D, aumentou o número de monstros de 40 para 71 e adicionou novas histórias e elementos. Porém, o remake de PS2 também ficou restrito ao Japão, deixando os fãs estrangeiros de fora. Apesar disso, vendeu bem: 722 mil cópias no primeiro dia e mais de 1,5 milhão até abril de 2004.
O que realmente levou Dragon Quest V ao mundo todo foi o remake para Nintendo DS, lançado em 2008. Desenvolvido pela ArtePiazza, ele usou o mesmo motor do remake de Dragon Quest IV para DS, com um estilo visual que mistura 2D e 3D. A versão DS saiu no Japão em 17 de julho de 2008, depois na América do Norte em 17 de fevereiro de 2009 e na Europa em 20 de fevereiro, com o título alterado para Dragon Quest: The Hand of the Heavenly Bride. Foi a primeira vez que o jogo ganhou uma versão oficial em inglês.
Depois, em dezembro de 2014, versões para iOS e Android foram lançadas no Japão, e no mês seguinte chegaram ao resto do mundo. A versão mobile é baseada no remake de DS, com controles de toque adaptados. Assim, esse clássico que ficou de fora da América do Norte finalmente chegou a todos os jogadores em várias formas. De 1992 a 2014, ao longo de mais de vinte anos, o jogo passou de cartucho a versão digital, mas a aventura que atravessa trinta anos permaneceu intacta.
Desenvolvimento
A equipe principal de Dragon Quest V era a mesma trinca de sempre: Yuji Horii no roteiro e design, Akira Toriyama nos personagens e Koichi Sugiyama na música. Eles trabalhavam juntos desde o primeiro Dragon Quest, e no quinto título já estavam bem afinados. Horii mais tarde disse que este é o seu Dragon Quest favorito, mostrando seu carinho pelo roteiro.
O desenvolvimento ficou a cargo da Chunsoft, que participava da série desde o início. Porém, após este título, a Chunsoft se afastou da franquia para se dedicar a jogos originais. Portanto, Dragon Quest V foi o último trabalho da empresa na série principal, e depois eles focaram em projetos como Mystery Dungeon.
Durante a produção, a evolução do hardware foi evidente. O Super Nintendo, comparado ao Famicom, tinha cores mais ricas e melhor áudio, o que permitiu que os designs de Toriyama ficassem mais detalhados e as composições orquestrais de Sugiyama ganhassem mais força. Os monstros e cenários ganharam vida no SNES, e isso foi uma base técnica para o jogo se tornar um clássico.
O remake para PS2 foi desenvolvido pela ArtePiazza e Matrix Software, que depois participaram de outros títulos da série. A versão PS2 manteve a estrutura da história original, mas adicionou novos companheiros e detalhes de enredo, como mais tipos de monstros recrutáveis e ajustes no sistema de batalha. No entanto, o remake de PS2 também não saiu do Japão, o que foi uma pena.
O remake para DS foi feito apenas pela ArtePiazza, que usou diretamente o motor do Dragon Quest IV para DS, então os dois jogos têm estilo visual e controles bem parecidos. A versão DS também incluiu uma nova personagem casável, Deborah, dando ao jogador uma terceira opção. Essa adição foi bem recebida e deixou o remake mais rico que o original.
Recepção e legado
Dragon Quest V sempre teve um lugar alto no coração dos jogadores e da mídia. A Famitsu deu notas 9, 10, 9 e 8 para o original, totalizando 36/40, um resultado excelente para a época. O remake de PS2 recebeu 34/40, e o de DS voltou a 36/40. Em várias pesquisas japonesas sobre 'jogos que merecem remake' ou 'melhor Dragon Quest', este título costuma aparecer no topo, mostrando sua importância para os fãs.
O sistema de monstros companheiros, pioneiro neste jogo, influenciou profundamente os jogos seguintes. Ele não só virou uma mecânica marcante da série Dragon Quest, mas também deu origem à subsérie Dragon Quest Monsters. Outros jogos adotaram mecânicas parecidas de capturar monstros como aliados, então dá para dizer que este título abriu caminho nesse estilo de jogo.
A cena em que a esposa do protagonista fica grávida e dá à luz também virou um assunto recorrente na história dos games. Após o casamento, a esposa engravida e o jogador experimenta a transição de marido a pai. Esse tipo de evento era raro nos jogos da época e depois foi copiado por títulos como Harvest Moon e The Sims 2, tornando-se um elemento comum em jogos de simulação.
Em 2 de agosto de 2019, um filme de animação 3DCG baseado no jogo, chamado Dragon Quest: Your Story, foi lançado no Japão. O filme recontou a aventura do protagonista com tecnologia moderna, e embora o enredo não seja idêntico ao do jogo, a essência emocional está lá. O lançamento do filme apresentou o clássico a um público que nunca jogou, acrescentando mais um capítulo à lenda deste título.
No geral, Dragon Quest V é uma obra que faz a ponte entre o passado e o futuro da série. Ele herdou a jogabilidade clássica dos títulos anteriores, mas ousou introduzir novidades como os monstros companheiros e a narrativa geracional, influenciando muitos jogos depois. Mesmo sem lançamento original na América do Norte, os remakes para PS2, DS e mobile garantiram que ele fosse conhecido por jogadores do mundo todo. Para quem gosta de RPG, este é um jogo que vale a pena jogar e rejogar.







