Jogabilidade e design
A jogabilidade central de Knights of the Round é o beat 'em up: o jogador avança por fases de rolagem lateral, enfrentando diversos inimigos comuns e chefes pelo caminho. Comparado a Final Fight, também da Capcom, a grande diferença está na introdução dos sistemas de defesa (parry) e de evolução de nível, que tornam o combate mais estratégico e rítmico, em vez de apenas esmagar botões. O jogador precisa observar o momento do ataque inimigo, puxar o direcional para trás e apertar o botão de ataque na hora certa; se conseguir defender, ganha um breve período de invencibilidade e deixa o oponente vulnerável. Esse mecanismo é fácil de aprender, mas exige prática para dominar, e proporciona uma grande sensação de realização.
O sistema de evolução é outro grande diferencial. Durante a luta, o personagem acumula experiência e, ao atingir um certo valor, sobe de nível automaticamente, mudando a aparência da arma e da armadura, além de aumentar o ataque e a defesa. Esse tipo de crescimento, típico de action RPGs, era raro em beat 'em ups da época; ele dá ao jogador uma meta clara de progressão ao longo das fases e aumenta a vontade de jogar novamente. Porém, a evolução é automática, sem distribuição livre de pontos, funcionando mais como uma ferramenta dos desenvolvedores para controlar a curva de dificuldade e dar retorno positivo.
Além dos ataques normais, cada personagem tem um golpe especial único. Arthur usa a espada sagrada; seu ataque especial é um corte poderoso, com grande alcance e dano. Lancelot é o mais rápido, mas um pouco mais fraco; seu especial é um chute saltitante, ágil, ideal para se aproximar rapidamente dos inimigos. Percival é o mais forte, porém lento; seu machado permite investidas e o ataque 'Gigante Balançante', com dano devastador. O jogador pode escolher o personagem conforme sua preferência, e as diferenças de controle são bem nítidas, o que dá ao jogo um alto valor de repetição.
O combate montado é um dos pontos altos. Cavalos aparecem nas fases; ao montar, o ataque muda, e é possível executar um pisoteio ao empurrar o direcional para frente duas vezes rapidamente, causando dano em área. Montado, o personagem fica mais ágil, mas também vira alvo fácil, exigindo cuidado. Além disso, há o 'Ataque do Desespero': apertando ataque e pulo juntos, o jogador elimina a maioria dos inimigos na tela, mas gasta um pedaço da barra de vida. Esse golpe pode salvar em momentos críticos, mas o uso deve ser bem pensado, pois a vida é preciosa em jogos de arcade.
O jogo tem sete fases, cada uma com cenários e tipos de inimigos diferentes, de florestas e castelos a masmorras, culminando no confronto com o rei maligno Garibaldi. Os inimigos comuns são variados: soldados com espada, arqueiros, escudeiros etc. As batalhas contra chefes testam o uso da defesa e dos golpes especiais. A curva de dificuldade é bem equilibrada: no início, o jogador se familiariza com os controles; no final, é preciso dominar a defesa e o timing do Ataque do Desespero. Esse design torna o jogo desafiador sem ser frustrante, sendo um dos representantes da fase madura dos beat 'em ups da Capcom.
Contexto e lançamento
Knights of the Round foi desenvolvido e publicado pela Capcom em 1991, inicialmente para o arcade CPS-1. Naquela época, o beat 'em up vivia sua era de ouro, e a Capcom já tinha muita experiência com títulos como Final Fight. Knights of the Round tentou combinar a clássica lenda medieval com a jogabilidade arcade madura. O jogo é baseado na lenda do Rei Arthur: após retirar a espada da pedra, Arthur, guiado pelo mago Merlin, luta ao lado dos cavaleiros da Távola Redonda, Lancelot e Percival, contra o maligno rei Garibaldi. Essa ambientação, inspirada em lendas europeias, era bem distinta dos beat 'em ups da época, que geralmente se passavam em cenários urbanos modernos ou de fantasia.
Após o lançamento nos arcades, o jogo rapidamente chamou a atenção no Japão e na América do Norte. Segundo revistas da indústria da época, em março de 1992, a Game Machine listou o jogo como o segundo arcade mais popular nas duas semanas anteriores; em abril, a Micom BASIC Magazine o colocou em sétimo lugar, e a norte-americana RePlay o listou como o sexto jogo mais popular. Essas listas refletem apenas o sucesso imediato, mas mostram que o jogo era bem recebido nos fliperamas. Para um novo IP que não era sequência, alcançar esses números indica que a jogabilidade e o tema realmente atraíram muitos jogadores.
Em 1994, a Capcom portou Knights of the Round para o Super Nintendo (SNES). A versão SNES manteve a jogabilidade central, adaptando gráficos e controles, mas, devido às limitações do console, o número de inimigos na tela e a fluidez foram reduzidos. A versão também trouxe novos modos ou ajustes, mas a experiência geral ficou aquém do arcade. Ainda assim, o port permitiu que mais jogadores domésticos conhecessem o jogo, tornando-se memória de infância para muitos. No entanto, as vendas no Japão foram de apenas 5.225 cópias, um número baixo, possivelmente porque o interesse por beat 'em ups nos consoles já estava em declínio.
Além do port para SNES, Knights of the Round foi incluído em várias coletâneas da Capcom. Em 2006, apareceu em Capcom Classics Collection: Reloaded para PSP e em Capcom Classics Collection Vol. 2 para PS2 e Xbox. Em 2018, a versão arcade foi incluída no Capcom Beat 'Em Up Bundle para plataformas modernas, e em 2022, no Capcom Arcade 2nd Stadium. Essas coletâneas permitem que novas gerações de jogadores experimentem o clássico com facilidade, e também mostram sua importância na história da Capcom.
Vale notar que o nome em inglês, 'Knights of the Round', é uma tradução literal de 'Cavaleiros da Távola Redonda', mas no círculo de jogadores chineses, às vezes é erroneamente chamado de '圆桌武士', que na verdade é outro jogo. Essa confusão pode vir da semelhança dos nomes, mas os dois jogos são completamente diferentes em jogabilidade e tema. Como enciclopédia, precisamos distinguir claramente para evitar enganos. No Brasil, o jogo é conhecido como 'Knights of the Round' ou 'Cavaleiros da Távola Redonda', e é esse o nome usado aqui.
Desenvolvimento
Knights of the Round foi desenvolvido pela Capcom usando o então maduro sistema de arcade CPS-1. O CPS-1 foi lançado no final dos anos 80 e era conhecido por cores vibrantes e animações de personagens fluidas; nele, nasceram clássicos como Final Fight e Street Fighter II. Nessa placa, os desenvolvedores da Capcom já tinham vasta experiência em jogos de ação, e Knights of the Round é uma inovação de tema e mecânica sobre essa base. Os gráficos mantêm o alto padrão da Capcom: personagens grandes, animações com muitos quadros e cenários detalhados, criando uma atmosfera medieval marcante.
No design de jogabilidade, Knights of the Round foi claramente influenciado por Final Fight e Dungeons & Dragons. O primeiro é o marco dos beat 'em ups da Capcom; o segundo introduziu crescimento de personagem e sistemas de armas. O jogo combina os dois de forma inteligente: mantém a ação frenética do beat 'em up e adiciona elementos de profundidade como evolução e defesa. Essa abordagem não era incomum na Capcom da época, mas Knights of the Round se destacou pelo equilíbrio e inovação, especialmente o mecanismo de defesa, que se tornou sua marca registrada.
No design de personagens, o jogo escolheu três figuras representativas da lenda arturiana: Arthur, Lancelot e Percival. Arthur, o protagonista, usa a espada Excalibur, tem atributos equilibrados e é ideal para iniciantes. Lancelot é rápido e ágil, usa uma cimitarra, e seu especial é o chute saltitante, refletindo sua agilidade como o cavaleiro mais forte da lenda. Percival é o personagem de força, usando um machado, com alto ataque mas baixa velocidade; seu ataque 'Gigante Balançante' combina com sua imagem de guerreiro corajoso. Esse design respeita a lenda e serve à jogabilidade, dando a cada personagem um papel bem definido.
Durante o desenvolvimento, os criadores incluíram detalhes interessantes. Por exemplo, o combate montado, raro em beat 'em ups; no jogo, o cavalo não é apenas um meio de transporte, mas também participa dos ataques, aumentando a variedade do combate. Outra ideia criativa é o Ataque do Desespero, que dá ao jogador uma chance de virar o jogo em momentos críticos, mas ao custo de perder vida. Esse equilíbrio entre risco e recompensa mostra a compreensão da psicologia do jogador no design de arcade. Esses detalhes evidenciam o cuidado da Capcom na produção.
Sobre a equipe de desenvolvimento e o processo de criação, há poucas informações públicas, mas o produto final demonstra a maturidade da Capcom em design de jogos de ação. No CPS-1, o jogo é excelente: a fluidez das animações e o feedback dos golpes atingem o padrão da época. Embora não tenha se tornado um fenômeno como Street Fighter II, Knights of the Round sempre tem um lugar especial no coração dos fãs de beat 'em up.
Recepção e legado
Knights of the Round recebeu boas avaliações após o lançamento. A revista japonesa Gamest, no seu sexto prêmio anual, classificou o jogo em sexto lugar na categoria 'Jogo do Ano' e em sexto na categoria 'Popularidade entre os Jogadores', refletindo sua popularidade. A mídia ocidental também elogiou: John Cook, da Sinclair User, disse que fãs de Golden Axe gostariam do jogo, apontando sua representatividade no gênero de beat 'em up de fantasia. Anthony Baize, da AllGame, chamou-o de beat 'em up 'sólido', com personagens 'legais', confirmando a qualidade geral e o design dos personagens.
Nas paradas de arcade, o jogo também se saiu bem. Além das listas de curto prazo mencionadas, em 1994, uma pesquisa de equipamentos da Play Meter classificou o jogo em 51º lugar entre os arcades. Embora não seja uma posição alta, considerando a competição acirrada e que o jogo já tinha três anos, manter alguma presença mostra seu apelo duradouro. Esses resultados indicam que Knights of the Round foi um sucesso comercial e de crítica, tornando-se um clássico dos beat 'em ups da Capcom.
A versão SNES recebeu avaliações mistas. Andromeda, da GamePro, elogiou a qualidade dos sprites, mas criticou a jogabilidade lenta e repetitiva. Isso se deve principalmente às limitações de hardware do SNES, que não conseguia reproduzir a fluidez e a densidade de inimigos do arcade, deixando o ritmo mais lento. No entanto, alguns veículos e jogadores tiveram uma visão positiva; em 2018, a Complex incluiu a versão SNES em sua lista dos melhores jogos de Super Nintendo, mostrando que ela tinha seus méritos. As vendas foram baixas, mas o port permitiu que mais pessoas conhecessem o jogo.
Na cultura gamer em geral, Knights of the Round deixou sua marca. Em 2013, a Heavy listou o jogo entre os 25 melhores beat 'em ups de todos os tempos, refletindo sua posição no gênero. Em 2018 e 2022, a versão arcade foi incluída em coletâneas da Capcom, permitindo que novas gerações experimentassem o clássico. Essas coletâneas geralmente contêm vários jogos, mas a inclusão de Knights of the Round mostra que a Capcom reconhece seu valor, garantindo sua preservação na era digital.
Em resumo, Knights of the Round é um beat 'em up inovador em jogabilidade e único em tema. Seu sistema de defesa e evolução inspirou jogos de ação posteriores; sua temática arturiana enriqueceu a narrativa do gênero. Embora não tenha gerado uma franquia como Final Fight, na memória dos jogadores, é uma joia da era de ouro da Capcom. Para quem gosta de beat 'em up, vale a pena jogar.







