Jogabilidade e design
O núcleo de Raiden é um shooter de rolagem vertical: você controla um caça na parte inferior da tela e atira para cima contra ondas de inimigos. São oito fases, mas ao terminá-las o jogo não acaba — ele volta à primeira, só que com inimigos mais numerosos, tiros mais rápidos e dificuldade bem maior. Esse ciclo não era raro na época, mas mantinha o desafio mesmo para quem já conhecia as fases, e incentivava os melhores jogadores a buscar pontuações altas e sobreviver por mais tempo.
O sistema de armas é o que mais atrai em Raiden. A arma principal vem em duas cores: a vermelha espalha tiros em leque, ótima para limpar inimigos comuns; a azul é concentrada e mais forte, eficaz contra chefes. Já as armas secundárias têm dois tipos: a M dispara mísseis teleguiados, e a H atira projéteis que atravessam os alvos. Cada arma tem níveis de poder, que aumentam ao pegar os itens correspondentes. Mas, se você for atingido, o nível da arma cai — esse castigo faz o jogador pensar bem entre arriscar ou jogar com cautela.
As bombas são essenciais para se salvar e limpar a tela. Você carrega uma quantidade limitada delas, e ao usá-las elas eliminam os tiros inimigos na tela e causam dano em área. Em lutas contra chefes com muitos projéteis, a bomba muitas vezes é a única saída. Como o número é limitado, saber quando usá-las separa os novatos dos veteranos.
O modo cooperativo de dois jogadores é um dos grandes destaques. Cada jogador pilota seu próprio caça, mas o interessante é que, se um mirar no companheiro, os tiros são absorvidos pela nave do aliado e viram um leque especial de projéteis contra os inimigos. Isso incentiva a cooperação em vez de cada um por si, e dá uma profundidade estratégica única ao modo. Claro, acertar o amigo por acidente também acontece, então é preciso sincronia.
O jogo ainda esconde vários segredos. Por exemplo, o item oculto Miclus, que é um chefe do jogo Wiz, lançado pela Seibu em 1985 — uma espécie de ovo de páscoa. Há também uma fada que aparece quando o jogador morre e solta itens de poder. Além disso, quando sua nave é destruída, os destroços viram estilhaços que voam e causam dano aos inimigos — um detalhe que aumenta o drama e ainda dá uma chance de revidar.
Contexto e lançamento
Raiden foi lançado em abril de 1990 no Japão pela Tecmo para arcade, com distribuição na América do Norte pela Fabtek e em Taiwan pela Liang Hua Electronics. A história se passa em 2090, quando a raça alienígena Crystals invade a Terra. O jogador é um piloto da organização VCD, comandando o caça Fighting Thunder. Embora o enredo seja simples, ele dá um contexto completo ao jogo e ajuda a criar imersão durante a ação intensa.
A versão de arcade vendeu cerca de 17.000 unidades no mundo todo. Esse número era bem expressivo para a época, ainda mais considerando que a empresa enfrentava problemas financeiros durante o desenvolvimento. A receita inicial não foi alta, mas cresceu de forma constante após alguns meses, até se tornar uma das máquinas mais populares nos fliperamas. Na América do Norte, foi um sucesso da Fabtek: entre novembro e dezembro de 1990, a média semanal de renda foi de US$ 194,25, um valor muito bom naquele tempo.
Em julho de 1990, a revista japonesa Game Machine listou Raiden como o jogo de arcade de mesa mais bem-sucedido, o que confirmou seu desempenho comercial. Nas paradas de arcade, Raiden também ficou muito tempo no topo, virando um clássico conhecido de boca em boca. Esse sucesso não só tirou a Seibu Kaihatsu do aperto financeiro, como também abriu caminho para a franquia.
O sucesso de Raiden não foi por acaso. Ele se inspirou em jogos de tiro populares da época, mas criou sua própria identidade nos detalhes. Seja no equilíbrio do sistema de armas ou na inovação do cooperativo, ele se destacou entre tantos outros shooters. A fama no arcade chamou a atenção de várias empresas, e nos anos seguintes o jogo foi portado para PC Engine, Mega Drive, Super Nintendo e outras plataformas, ampliando ainda mais seu alcance.
Vale mencionar que as versões caseiras tiveram diferenças. A de PC Engine foi desenvolvida pela A.I Company e publicada pela Hudson Soft; a de Atari Jaguar, feita pela Imagitec Design, teve recepção mista; e a de MS-DOS saiu apenas na América do Norte. Cada uma tinha pequenas variações, mas todas mantiveram a essência do original. Em 2021, a versão de arcade entrou para a série Arcade Archives nos consoles modernos, permitindo que uma nova geração conhecesse esse clássico.
Desenvolvimento
Raiden nasceu por causa do fracasso comercial do jogo anterior da Seibu Kaihatsu, Dynamite Duke. Esse título não vendeu o esperado e deixou a empresa em dificuldades financeiras. Para recuperar o investimento, a companhia decidiu fazer um shooter, já que esse gênero tinha ciclo de desenvolvimento curto, custo relativamente baixo e ainda contava com um público fiel nos arcades. A decisão até parecia uma saída forçada, mas acabou gerando um clássico.
Por causa das limitações financeiras, a equipe teve que usar um hardware de arcade mais fraco. Isso foi um desafio para os programadores, mas eles não baixaram a qualidade. Pelo contrário: otimizando o código e usando soluções criativas, conseguiram gráficos fluidos e muitos projéteis na tela mesmo com recursos limitados. Essa busca por superar as limitações é o que deu origem a muitos jogos lendários.
A equipe se inspirou em shooters famosos como 1942, Xevious e Twin Cobra. Cada um tinha seus pontos fortes, e eles aproveitaram ideias como as fases em loop de 1942, os segredos de Xevious e o sistema de upgrades de armas de Twin Cobra. Mas não foi uma cópia: eles misturaram esses elementos e inovaram, criando o estilo único de Raiden.
A produção foi liderada por Hitoshi Hamada, presidente da Seibu Kaihatsu, com Tetsuya Kawaguchi como designer e programador. Kawaguchi foi essencial no desenvolvimento: além de criar a mecânica central, ele escreveu grande parte do código. A música ficou por conta de Akira Sato, cujas composições deram um clima tenso e empolgante ao jogo. Mais tarde, essas faixas foram incluídas em uma trilha sonora que trazia Raiden e Raiden II.
Houve curiosidades interessantes durante a produção. O item escondido Miclus, por exemplo, era uma homenagem ao jogo Wiz, da própria empresa. Já a fada que aparece quando o jogador morre era uma forma de dar uma compensação, algo raro em shooters na época. Esses detalhes podem parecer pequenos, mas mostram o cuidado da equipe com a experiência do jogador, e são lembrados até hoje.
Recepção e legado
Raiden foi muito elogiado após o lançamento. Jogadores e imprensa destacaram a jogabilidade fluida, o sistema de armas variado e o design de fases cheio de tensão. O jogo entrou para o livro 1001 Video Games You Must Play Before You Die, lançado em 2010, que reúne os títulos mais influentes da história — uma prova do seu lugar no panteão dos games.
O sucesso de Raiden gerou várias sequências, como Raiden II e Raiden DX, que mantiveram a base do original e adicionaram novidades: gráficos mais bonitos, padrões de balas mais complexos e novas armas. A Seibu Kaihatsu se firmou no gênero com essa série, mas, infelizmente, a empresa faliu em 2005. Os direitos da franquia foram comprados pela MOSS, que continuou lançando novos títulos.
Raiden deixou uma marca duradoura nos jogos de tiro. Seu sistema de upgrades de armas, o cooperativo e os segredos foram copiados por muitos outros jogos. O mecanismo de atirar no parceiro para gerar um leque de balas era algo único na época e também foi imitado depois. Pode-se dizer que Raiden estabeleceu um padrão para os shooters de rolagem vertical.
Comercialmente, Raiden vendeu cerca de 17.000 unidades de arcade. Apesar da receita inicial baixa, a fama foi crescendo e ele se tornou um dos queridinhos da Fabtek na América do Norte. Em julho de 1990, a Game Machine o listou como o jogo de mesa mais bem-sucedido, o que mostra sua popularidade. Para uma empresa em crise financeira, esse resultado foi um verdadeiro alívio.
Até hoje, Raiden é considerado um clássico por muitos jogadores. Em 2021, a versão de arcade foi relançada na série Arcade Archives para consoles modernos, permitindo que uma nova geração experimente o jogo. Embora os gráficos e o som estejam datados, a jogabilidade continua sólida. Para quem gosta de shooters, Raiden não é só um jogo — é uma memória de uma era.







