River City Ransom
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River City Ransom

River City Ransom é um beat 'em up para NES lançado em 1989, desenvolvido pela Technos Japan. Diferente de outros jogos do gênero, apresenta um mundo aberto explorável, com elementos de RPG, permitindo ao jogador circular livremente pela cidade. Apesar das vendas iniciais fracas no Ocidente, tornou-se um clássico cult, sendo listado entre os melhores jogos de NES por publicações como IGN e GamesRadar.

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Jogabilidade e design

O que mais chama a atenção em River City Ransom é que ele não prende o jogador em fases lineares como a maioria dos beat 'em up da época. A cidade de River City é um bairro aberto, livre para explorar, com ruas, shoppings, parques e margens de rio todos conectados. O jogador pode ir para onde quiser, sem rota fixa ou ordem obrigatória. Esse design era raro num NES em 1989 e fazia você sentir que não estava só passando de fase, mas sim andando por uma cidade de verdade, procurando confusão e brigando.

A parte de combate lembra Double Dragon, mas com uma sensação mais sólida. O protagonista pode dar socos e chutes, pegar latas de lixo, paus, correntes e usá-los como armas, e até agarrar inimigos e arremessá-los. Os inimigos não ficam parados esperando apanhar; eles cercam você por todos os lados, e alguns pegam armas para revidar. Você precisa aprender a se posicionar e escolher bem o momento de atacar, senão acaba sendo encurralado. Essa pegada mais dura, com um gostinho de fliperama, combinada com os valentões que aparecem a qualquer momento, dá a cada briga de rua uma sensação de perigo real.

O que realmente torna River City Ransom especial é que ele enfia um sistema de progressão de RPG dentro de um jogo de ação. Bater, apanhar e comer fazem os atributos do personagem, como força, velocidade e resistência, aumentarem aos poucos. Dinheiro cai dos inimigos e pode ser gasto em lojas, comprando comidas e bebidas para recuperar vida, além de livros que ensinam golpes novos. Habilidades como Grand Slam, Stone Hands e Dragon Feet são compradas e usadas no combate. Esse ciclo de "ficar mais forte quanto mais você luta" fazia você querer explorar o mapa repetidamente e enfrentar inimigos, em vez de correr para o final.

O jogo não tem save com bateria; usa um sistema de senhas. De tempos em tempos, o jogo mostra uma sequência de caracteres que você anota e digita na próxima vez para continuar de onde parou. A senha guarda o nível, as habilidades, o dinheiro e os chefes já derrotados. Hoje isso parece chato, mas era comum na época. Também fazia você valorizar cada partida, porque se perdesse a senha, era começar do zero. Por outro lado, o sistema permitia trocar senhas com amigos e experimentar o progresso um do outro, uma forma de interação social bem daquele tempo.

O mapa tem nove gangues, cada uma com nome e membros usando camisetas de cores diferentes, como The Generic Dudes e The Frat Guys. Você tem que derrotar todas, uma por uma, até chegar no chefão final, Slick. Esse esquema de "limpar as gangues" combina muito bem com o mapa aberto, deixando você escolher a ordem de enfrentamento. Cada gangue tem visuais e estilos de luta próprios, então nunca fica repetitivo. Essa integração natural entre exploração e combate acabou virando uma semente para muitos jogos de mundo aberto que vieram depois.

Contexto e lançamento

River City Ransom foi lançado no Japão em 25 de abril de 1989 para o Famicom, com o título Downtown Nekketsu Monogatari. É o terceiro jogo da série Kunio-kun no NES, depois de Renegade e Super Dodge Ball, mas esses dois eram portes de arcade. River City Ransom foi o primeiro feito especialmente para o console, e muitas das ideias de design da série começaram aqui.

A história é simples: os estudantes Kunio e Riki precisam resgatar a namorada Misako, atravessando a cidade inteira na porrada até acertar as contas com o vilão Slick. No Japão, os protagonistas são Kunio e Riki, a namorada é Misako, e a cidade se chama Nekketsu. Na versão norte-americana, tudo mudou: os heróis viraram Alex e Ryan, a garota virou Cyndi, e a cidade passou a se chamar River City. Essa localização era comum na época, mas River City Ransom foi além, mudando até o título.

A versão norte-americana, chamada River City Ransom, foi publicada pela American Technos, subsidiária da Technos nos EUA, sem a Taito, que tinha lançado Renegade e Super Dodge Ball por lá. Isso marcou uma virada importante para a série no exterior, com a Technos assumindo o controle da distribuição na América do Norte. Mas o jogo vendeu mal no Ocidente, com números bem fracos no começo. Curiosamente, a crítica gostou muito, e esse descompasso entre elogios e vendas acabou construindo uma reputação positiva aos poucos entre os jogadores.

Na região PAL (Europa, Austrália etc.), o jogo saiu como Street Gangs, mudando o nome de novo. Essa versão mantinha os nomes de personagens e lugares parecidos com a norte-americana, mas o título era diferente, provavelmente para agradar o mercado local. As diferenças entre as versões deixaram River City Ransom meio misterioso para os jogadores de fora: muita gente jogou quando criança sem saber que existiam outros nomes. Foi só com a internet que todos descobriram que o Street Gangs que conheciam era o mesmo River City Ransom.

Apesar do desempenho comercial fraco no início, as avaliações positivas nunca pararam. A revista francesa Player One deu 93% para Street Gangs, dizendo que era imperdível. Já o programa britânico GamesMaster deu só 32%, com o apresentador dizendo que preferia sentar numa pilha de esterco a jogar aquilo. Essa divergência extrema só aumentou a curiosidade em volta do jogo. Mais tarde, a IGN, numa retrospectiva, deu nota 9/10, elogiando o combate e a profundidade de RPG, o que ajudou a consagrar o título.

Desenvolvimento

River City Ransom foi desenvolvido pela Technos Japan, empresa conhecida na época por jogos de ação mais brutais, como Renegade e Double Dragon. Mas o jogo não era uma cópia do que veio antes; a equipe queria inovar. Partindo da base de Renegade, eles adicionaram um mundo aberto e elementos de RPG, permitindo que o jogador circulasse livremente pela cidade em vez de seguir fases lineares. Essa abordagem era bem ousada para a época e virou uma marca registrada da série.

A inspiração principal veio de Renegade, mas a equipe claramente não queria fazer só um reskin. Eles queriam dar ao jogador mais opções, como escolher qual gangue enfrentar primeiro, quais habilidades aprender e como gastar o dinheiro. Essa liberdade era rara em jogos de NES e exigia muito cuidado com o ritmo. Para deixar a cidade mais realista, capricharam nos detalhes: placas de lojas, postes de luz, latas de lixo e até entradas de bueiro. Os cenários eram simples, mas juntos criavam uma atmosfera de "vida de rua".

O remake para GBA, River City Ransom EX, saiu em 2004, desenvolvido pela Million e publicado pela Atlus. Ele mantinha o mundo aberto e o combate do original, mas com alguns ajustes. O mais notório foi a remoção do modo cooperativo de verdade, substituído por um parceiro controlado por IA que segue o jogador. Isso desagradou os fãs antigos, porque a cooperação local era uma das melhores lembranças do original. Por outro lado, a versão GBA tinha vantagens, como save com bateria para até 12 personagens e suporte a troca de dados entre cartuchos, facilitando compartilhar o progresso.

O jogo original de NES foi relançado digitalmente várias vezes, chegando ao Wii, 3DS, Wii U e Switch. A versão para o Virtual Console do Wii saiu no Japão em 2007 e só em 2008 na América do Norte e Europa. A versão de 3DS permitia baixar e jogar em modo cooperativo, mas sem a função de save state. Já a versão de Switch, lançada em 2018 como parte do serviço Nintendo Classics, trazia imagem em alta definição e suporte a save. Esses relançamentos preservaram o conteúdo original, apenas adaptando para os novos consoles, para que uma nova geração pudesse curtir o clássico.

A equipe também escondeu vários easter eggs e detalhes. Nas lojas, dava para comprar comidas variadas, de hambúrguer a sushi, cada uma com efeitos de cura diferentes. Havia até uma fonte termal que recuperava a energia, algo exótico para os jogadores ocidentais. Os nomes dos livros de habilidade também eram cheios de referências, como Dragon Feet, que soava bem marcial. Esses pequenos toques deixavam o mundo mais rico e faziam com que explorar sempre rendesse algo novo.

Recepção e legado

River City Ransom vendeu mal no Ocidente no começo, mas foi ganhando fãs fiéis pelo boca a boca e virou um clássico cult. Em 2009, a IGN o listou como o 15º melhor jogo de NES; em 2012, a GamesRadar o colocou em 7º. Em 2017, a Polygon o incluiu na posição 461 da lista dos 500 melhores jogos, e a Paste o classificou como o 16º melhor de NES. Esses rankings mostram como o jogo é respeitado pela mídia especializada e pelos jogadores, principalmente por causa do design de mundo aberto e da fusão com RPG, que muitos consideram à frente do seu tempo.

O sucesso do jogo também impulsionou a série. Em 1994, saiu uma prequela para SNES, Shin Nekketsu Kōha: Kunio-tachi no Banka, contando a história anterior de Kunio e Riki. Em 2011, uma sequência direta, Downtown Nekketsu Monogatari 2, foi lançada para WiiWare, desenvolvida pela Miracle Kidz. Em 2017, outra sequência, River City Ransom: Underground, foi feita pela Conatus Creative, com financiamento coletivo via Kickstarter. Esses jogos mantiveram a jogabilidade central de River City Ransom, provando que o design resistiu ao tempo.

Além das sequências, houve vários spin-offs. River City Girls, da WayForward, lançado em 2019, é um beat 'em up com protagonistas femininas, visual mais moderno, mas com a mesma essência de River City Ransom. E os personagens Kunio, Riki, Goda e os irmãos Hattori apareceram como espíritos de luta em Super Smash Bros. Ultimate, dando mais visibilidade à série entre o público mainstream. Esses derivados e participações especiais fizeram a influência de River City Ransom ultrapassar a era do NES e chegar até hoje.

River City Ransom também deixou sua marca na indústria. Ele mostrou que jogos de ação não precisavam ser lineares, e que dava para misturar mundo aberto com elementos de RPG de forma harmoniosa. Muitos jogos posteriores, como a série Grand Theft Auto, têm ecos dessa abordagem. Claro, não dá para dizer que River City Ransom foi a inspiração direta, mas ele serviu como um exemplo bem-sucedido. Numa época em que o NES tinha limitações técnicas, conseguir criar um jogo com tanta profundidade não era pouca coisa.

Para os jogadores, o significado de River City Ransom é algo mais pessoal. Muita gente jogou em cartuchos piratas quando criança, sem saber se o nome era River City Ransom ou Street Gangs, mas todos lembram daquele jogo de brigar na rua, comprar comida e aprender golpes. Essa memória é universal, atravessa idiomas e fronteiras. Até hoje, há fãs discutindo em fóruns como derrotar chefes, onde farmar dinheiro mais rápido, e até criando mods para expandir o mapa. Um jogo com mais de trinta anos ainda consegue despertar tanta paixão, e isso é a maior prova do seu sucesso.

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