X-Men vs. Street Fighter
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X-Men vs. Street Fighter

X-MEN vs Street Fighter

X-Men vs. Street Fighter é um jogo de luta crossover lançado pela Capcom em 1996, que reuniu pela primeira vez os X-Men da Marvel e os personagens de Street Fighter da própria empresa em um só título, inaugurando o mecanismo de batalha em duplas com troca de personagens e dando início à série Marvel vs. Capcom. O jogo fez sucesso nos fliperamas graças à jogabilidade única, aos gráficos caprichados e ao apelo do crossover, e suas versões caseiras se tornaram um tópico frequente de discussão entre os jogadores devido às diferenças de hardware.

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Jogabilidade e design

A jogabilidade central de X-Men vs. Street Fighter é a batalha em equipes de dois personagens. Antes do início da partida, o jogador escolhe dois lutadores e, durante a luta, pode alternar o personagem em campo a qualquer momento com o apertar de um botão, enquanto o personagem que fica na reserva recupera lentamente uma pequena quantidade de vida. Esse design deixa o ritmo da luta mais acelerado e exige que o jogador domine a operação e a combinação dos dois personagens, em vez de focar em apenas um, como nos jogos de luta tradicionais.

As partidas são disputadas em um único round, em vez do formato comum de melhor de três. Se o tempo se esgotar, o sistema compara a soma da vida restante dos dois times, e o lado com mais vida vence. Essa regra incentiva os jogadores a atacar com agressividade e torna o resultado mais imprevisível, pois mesmo que o personagem em campo esteja com pouca vida, se o outro estiver em boas condições, ainda há chance de virar o jogo.

O jogo herda os sistemas dos dois títulos anteriores da Capcom com a Marvel, incluindo super salto, combos aéreos e a barra de Hyper Combo. A barra de Hyper Combo se enche com ataques e golpes recebidos, e pode ser gasta para executar golpes especiais poderosos de Hyper Combo, ou usar o Variable Combination, que faz os dois personagens aparecerem juntos para um super especial, e o Variable Counter, que permite chamar o parceiro para um contra-ataque durante a defesa. Esses mecanismos tornam as lutas cheias de estratégia e espetáculo.

No quesito elenco, o jogo conta com 17 personagens jogáveis, incluindo representantes dos X-Men e de Street Fighter. Os sprites dos personagens dos X-Men vêm do título anterior, X-Men: Children of the Atom, mas Rogue, Gambit e Sabretooth fazem sua estreia em jogos de luta da Capcom. Já os personagens de Street Fighter foram reaproveitados de Street Fighter Alpha 2, mas, para equilibrar os dois lados, seus golpes especiais foram bastante exagerados, como o Super Hadouken de Ryu, que pode preencher a tela inteira.

Na versão para PlayStation, devido às limitações de hardware, a batalha em duplas foi removida, dando lugar ao formato melhor de três, e o parceiro só pode ser chamado para ajudar em certos ataques. Essa versão também contém um código secreto que ativa um modo "quase-duplas", mas exige que ambos os jogadores usem o personagem inicial do oponente como parceiro. Além disso, na versão de PlayStation, a barra de Hyper Combo enche cerca de metade da velocidade da versão de arcade, facilitando a execução de combos, mas a experiência geral difere bastante da versão de fliperama.

Contexto e lançamento

X-Men vs. Street Fighter é o terceiro jogo de luta da Capcom a usar personagens da Marvel, depois de X-Men: Children of the Atom (1994) e Marvel Super Heroes (1995). Também é o primeiro título da série Marvel vs. Capcom, com o nome já deixando claro o crossover entre as duas propriedades. O jogo estreou nos fliperamas japoneses em setembro de 1996 e depois foi lançado mundialmente, tornando-se rapidamente um sucesso nas casas de fliperama.

A versão de arcade usa a placa CP System II, um hardware 2D avançado da Capcom na época, capaz de exibir sprites detalhados e animações fluidas. O sucesso no Japão foi imediato: na edição de outubro de 1996 da revista Game Machine, o jogo foi listado como o mais bem-sucedido do mês nos fliperamas, superando títulos contemporâneos como Quiz Nanairo Dreams e Stakes Winner 2.

O lançamento para consoles foi conturbado. Em 6 de novembro de 1996, a Capcom anunciou que o jogo seria exclusivo para Saturn, mas depois voltou atrás e decidiu lançar versões para PlayStation e Saturn. Essa decisão refletiu a forte concorrência no mercado de consoles da época e a postura da Capcom em relação às duas plataformas.

A versão para Saturn foi lançada no Japão em 27 de novembro de 1997, sendo o primeiro jogo a usar o cartucho de expansão de 4 MB do Saturn, que vinha incluso na compra. No entanto, como o cartucho de 4 MB não foi produzido nos Estados Unidos e as lojas planejavam liquidar o hardware do Saturn, a versão para Saturn nunca foi lançada oficialmente na América do Norte; apenas algumas lojas Electronics Boutique venderam a versão importada. Na Europa, a distribuidora Virgin Interactive não quis lançar o jogo por causa do custo do cartucho, e a Sega planejou lançá-lo com o cartucho incluso, mas o plano acabou engavetado.

A versão para PlayStation foi lançada no Japão em 26 de fevereiro de 1998, com o nome X-Men vs. Street Fighter: EX Edition, na América do Norte em 11 de junho de 1998, e na Europa em novembro de 1998. Devido às limitações de memória do PlayStation, essa versão teve quadros de animação removidos e a batalha em duplas foi retirada, o que gerou opiniões mistas.

Desenvolvimento

O desenvolvimento do jogo se baseou na experiência anterior da Capcom com jogos de luta da Marvel. Os sprites dos personagens dos X-Men foram diretamente aproveitados de X-Men: Children of the Atom, mas Rogue, Gambit e Sabretooth foram feitos do zero, com designs inspirados na série animada dos anos 90 e usando as vozes dos dubladores originais. Essa fidelidade ao material original fez com que os fãs dos X-Men se sentissem em casa.

Já os sprites dos personagens de Street Fighter foram reaproveitados de Street Fighter Alpha 2, mas, para enfrentar os super-heróis e vilões dos X-Men, seus golpes especiais foram desenhados de forma mais exagerada. Por exemplo, o Super Hadouken de Ryu pode preencher a tela inteira, um impacto visual que reforça a empolgação do confronto entre as duas franquias e mostra a criatividade da equipe em equilibrar os dois universos.

O desenvolvimento da versão para Saturn foi um marco técnico. Para alcançar um resultado próximo ao do arcade no Saturn, a Capcom utilizou o cartucho de expansão de 4 MB, sendo a primeira vez que esse hardware foi usado. O cartucho vinha incluso com o jogo, permitindo que a versão para Saturn exibisse todos os quadros de animação e tivesse carregamento rápido, sendo considerada por muitos jogadores como um exemplo de port de arcade.

O desenvolvimento da versão para PlayStation enfrentou mais desafios. Devido à memória insuficiente, a equipe teve que remover quadros de animação e retirar a batalha em duplas, adotando o formato melhor de três. Eles também ajustaram a velocidade de enchimento da barra de Hyper Combo, deixando-a cerca de metade da velocidade da versão de arcade, para equilibrar o ritmo do jogo. Essas concessões fizeram a versão de PlayStation ser tecnicamente inferior à de Saturn, mas ainda assim era um dos poucos jogos de luta 2D notáveis no PS1 na época.

O jogo também esconde Akuma como personagem jogável, dando continuidade à tradição de sua participação especial em X-Men: Children of the Atom. A inclusão de Akuma ofereceu uma diversão extra de exploração para os jogadores e demonstrou o cuidado da Capcom com o elenco.

Recepção e legado

X-Men vs. Street Fighter obteve um sucesso notável no mercado de arcade e recebeu críticas positivas da imprensa. A revista Next Generation deu 3 de 5 estrelas para a versão de arcade, elogiando o mecanismo de duplas, mas também considerou que o gênero estava saturado. A AllGame, em uma análise retrospectiva, deu 4 de 5 estrelas, elogiando a combinação das duas franquias populares e o mecanismo de duplas. O jogo teve ótima recepção entre os jogadores, tornando-se uma escolha popular para partidas em fliperamas.

A versão para Saturn recebeu muitos elogios da crítica. Jeff Gerstmann, da GameSpot, chamou-a de "o jogo de luta 2D mais bonito em qualquer console", e os comentários elogiaram a fidelidade ao arcade, a animação e a qualidade do som, o carregamento rápido e a ausência de engasgos. A versão para Saturn foi vista como um padrão de port de arcade, embora não tenha sido lançada oficialmente na América do Norte, conquistando fãs por meio de importação.

A versão para PlayStation, por outro lado, recebeu opiniões mistas devido às concessões técnicas, com uma pontuação de 64% no GameRankings. As críticas se concentraram na remoção da batalha em duplas e nos engasgos frequentes, mas o jogo ainda tinha algum apelo por causa do elenco e da jogabilidade básica. Essa versão se tornou um exemplo negativo quando se discute ports de console, destacando a vantagem do Saturn em termos de suporte de hardware.

Como o primeiro título da série Marvel vs. Capcom, este jogo estabeleceu os conceitos centrais da franquia: batalha em equipes de dois e confrontos entre personagens de diferentes universos. A sequência, Marvel Super Heroes vs. Street Fighter, lançada em 1997, introduziu o mecanismo de "assistência" e substituiu a maioria dos personagens dos X-Men por outros personagens da Marvel, expandindo ainda mais as possibilidades da série.

Anos depois, o jogo ainda é lembrado pela Capcom e pelos jogadores. Em 2020, a Arcade1Up anunciou que incluiria o jogo em seu gabinete doméstico de arcade, junto com Marvel Super Heroes vs. Street Fighter e Marvel vs. Capcom: Clash of Super Heroes, entre outros. Em 2024, a Capcom anunciou que o jogo faria parte da coletânea Marvel vs. Capcom Fighting Collection: Arcade Classics, lançada em setembro de 2024 para Switch, PS4 e Windows, permitindo que uma nova geração de jogadores experimente esse clássico.

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