Contra (1987)
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Contra (1987)

Contra 1987

Contra (1987) é um jogo de tiro com rolagem lateral lançado pela Konami para fliperamas em 1987, sendo o primeiro título da série Contra. A história se passa no ano de 2633, onde os jogadores controlam Bill Rizer e Lance Bean, que devem enfrentar a organização Red Falcon nas ilhas fictícias de Galuga. A versão de arcade é conhecida por sua mistura única de perspectivas (horizontal, vertical e pseudo-3D) e pelo modo cooperativo para dois jogadores simultâneos, estabelecendo as bases para a franquia.

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Jogabilidade e design

A experiência central de Contra no fliperama está na sua jogabilidade de tiro direta e responsiva. O jogador controla o personagem com um joystick de oito direções, podendo se mover livremente, enquanto dois botões são usados para atirar e pular. Ao pular, o personagem encolhe o corpo e faz um salto mortal para frente, um detalhe que não só torna o movimento mais ágil, mas também se tornou um ícone visual da série. A arma padrão é um rifle com munição infinita, que, embora não seja muito poderosa, é confiável e permite que o jogador se concentre na movimentação e na esquiva.

O sistema de armas é um dos grandes destaques do jogo. Ao destruir certos power-ups que voam pela tela, o jogador pode trocar o rifle por metralhadora, laser, lança-chamas ou shotgun. Cada arma tem trajetória e poder distintos: o laser atravessa inimigos, enquanto a shotgun é ideal para dano em curta distância. Além disso, há dois itens de suporte: balas rápidas e um escudo de invencibilidade, que aparecem apenas em condições específicas, dando aos jogadores veteranos espaço para estratégia.

O que mais impressiona na versão de arcade são as mudanças de perspectiva ao longo das sete fases. A maioria é de rolagem lateral tradicional, mas a quarta fase muda para rolagem vertical, onde o jogador avança de baixo para cima. Já as fases dois e cinco usam uma perspectiva pseudo-3D, criando uma sensação de profundidade na tela, com inimigos se aproximando de longe e o jogador precisando reagir rapidamente em um espaço limitado. Essa mistura de perspectivas era rara em jogos de tiro de fliperama na época.

O modo cooperativo para dois jogadores é um dos pilares do design. Dois jogadores podem controlar Bill e Lance, lutando lado a lado na mesma tela. A cooperação não só dobra o poder de fogo, mas também exige sincronia: em corredores estreitos, um pode limpar os inimigos enquanto o outro cobre os flancos. Essa ênfase no trabalho em equipe incentivava os jogadores a chamarem amigos no fliperama e se tornou uma das marcas mais duradouras de Contra.

A dificuldade e o sistema de continue também são típicos da era dos arcades. O jogador tem um número limitado de vidas; quando acaba, pode continuar, mas no máximo três vezes. No modo cooperativo, ambos os jogadores precisam esgotar suas vidas para poderem continuar juntos. Isso garante desafio e dá mais peso à cooperação, já que um erro individual pode prejudicar o time. Essa tensão era uma das experiências mais viciantes dos fliperamas da época.

Contexto e lançamento

Contra foi lançado pela Konami em 1987 como o primeiro título da série. A história se passa no ano de 2633, nas ilhas fictícias de Galuga, onde uma organização armada chamada Red Falcon se estabeleceu. Os jogadores controlam Bill Rizer e Lance Bean, que precisam se infiltrar atrás das linhas inimigas para destruir seus planos. Esse cenário de ficção científica futurista não era incomum nos arcades da época, mas combinado com o estilo de ação durão, chamou a atenção dos jogadores.

As versões japonesa e americana do arcade eram quase idênticas, ambas intituladas 'Contra'. No entanto, na Europa, o jogo foi lançado como 'Gryzor', com uma diferença importante: a versão europeia só permitia o modo cooperativo alternado, ou seja, os dois jogadores não podiam jogar ao mesmo tempo, apenas se revezando. Essa mudança afetou bastante a experiência cooperativa e fez com que os jogadores europeus tivessem uma impressão um pouco diferente do jogo em comparação com os japoneses e americanos.

Comercialmente, a versão de arcade foi um sucesso considerável. No Japão, alcançou o topo da parada de fliperamas da revista Game Machine em abril de 1987, mostrando sua popularidade. Nos Estados Unidos, também ficou entre os quatro jogos de arcade dedicados de maior receita em 1987. No Reino Unido, a versão 'Gryzor' também se tornou popular nos fliperamas e, quando foi portada para computadores domésticos, chegou a aparecer nas paradas de vendas da Gallup.

O sucesso do arcade levou a ports para várias plataformas. Em 1988, foram lançadas as versões para NES e MSX2, e a Ocean Software também portou o jogo para ZX Spectrum, Commodore 64 e Amstrad CPC, sob o título 'Gryzor'. Cada versão teve suas próprias mudanças: a de NES adicionou fases e códigos secretos, enquanto a de MSX2 tinha barra de energia e 19 fases, mas todas derivavam da estrutura do arcade.

Como ponto de partida da série, a versão de arcade continuou influenciando ports e remakes. Em 2006, foi relançada para PS2 como parte da série 'Oretachi Gēsen Zoku', e em novembro do mesmo ano chegou ao Xbox 360 via Xbox Live Arcade, com conversão feita pela Digital Eclipse. Em 2016 e 2020, a Hamster lançou a versão de arcade nas séries Arcade Archives para PS4 e Switch, respectivamente. Em 2019, a 'Contra Anniversary Collection' incluiu as versões de arcade, NES e Famicom, permitindo que novos e antigos jogadores revisitem o clássico.

Desenvolvimento

O desenvolvimento de Contra no arcade foi fortemente influenciado pelos filmes de ação de Hollywood da época. Os protagonistas Bill e Lance foram inspirados em Arnold Schwarzenegger, de 'O Predador', e Sylvester Stallone, de 'Rambo'. Essa estética de herói durão não era incomum nos jogos da época, mas a Konami incorporou essa sensação cinematográfica diretamente nos personagens e na atmosfera, fazendo os jogadores se sentirem como astros de ação no fliperama.

A origem do título 'Contra' também é interessante. A palavra vem do espanhol e significa 'contrarrevolução', referindo-se aos grupos paramilitares da Nicarágua. A Konami escolheu esse nome para dar um toque de realismo político ao jogo, embora a maioria dos jogadores provavelmente não se aprofundasse nisso. Ainda assim, o nome ajudou o jogo a se destacar entre outros jogos de tiro.

Além dos personagens e do título, os inimigos alienígenas foram inspirados no filme 'Alien', de 1979. As criaturas de aparência estranha e biológica tinham uma atmosfera semelhante aos xenomorfos do filme. Isso fez com que os inimigos não fossem apenas alvos simples, mas transmitissem uma sensação de terror e opressão, aumentando a imersão durante o combate.

Curiosamente, as estratégias de marketing do arcade variavam entre as regiões. A versão americana do arcade minimizava o cenário futurista, e o manual do NES mudava o cenário para a selva amazônica contemporânea. Essa mudança pode ter sido para agradar o público local, mas causou algumas inconsistências na história. Em contraste, o conteúdo do jogo em si não mudou muito, apenas a abordagem promocional.

A música do arcade também merece destaque. A trilha sonora foi composta pela equipe interna da Konami e mais tarde incluída no álbum 'Konami Game Music Vol.4: A Jax', lançado em 1988. As faixas, em estilo eletrônico, têm ritmo forte e combinam com a atmosfera tensa do jogo. Embora não tenham recebido tanta atenção quanto as trilhas de jogos posteriores, elas estabeleceram as bases para o estilo musical da série.

Recepção e legado

Contra no arcade recebeu críticas geralmente positivas após o lançamento. Clare Edgeley, da revista 'Computer and Video Games', descreveu o jogo como 'cansativo, mas emocionante', uma avaliação precisa que captura a alta dificuldade e o ritmo acelerado que mantinham os jogadores tensos e viciados. Essa opinião refletia a experiência de muitos jogadores, como evidenciado pelas filas nos fliperamas.

Como primeiro título da série Contra, o arcade definiu o tom para toda a franquia. O modo cooperativo, o sistema de upgrade de armas e a mistura de perspectivas tornaram-se elementos icônicos. Mais tarde, no mesmo ano, a Konami lançou a sequência 'Super Contra', que consolidou essas características. Sem a exploração do arcade, os clássicos que os jogadores lembram até hoje não existiriam.

O modo cooperativo do arcade foi um dos principais fatores de sua popularidade. Na era de ouro dos fliperamas, jogar ao lado de um amigo era uma experiência social única. Essa cooperação ia além do jogo: os jogadores trocavam dicas, compartilhavam estratégias e até discutiam quem escolheria qual personagem. Essa interação fez de Contra mais do que um jogo, mas um fenômeno cultural.

Os múltiplos relançamentos do arcade também provam seu apelo duradouro. Do PS2 ao Xbox Live Arcade, e depois PS4 e Switch, cada port permitiu que novas gerações de jogadores conhecessem o clássico. A 'Contra Anniversary Collection' de 2019 reuniu as versões de arcade e NES, permitindo que os jogadores comparassem as diferenças e vissem a evolução da série.

Olhando para trás, Contra no arcade não foi apenas uma tentativa bem-sucedida da Konami em 1987, mas um marco importante na história dos jogos de tiro. Seu design influenciou muitos jogos posteriores, e a mistura de perspectivas e o modo cooperativo ainda são considerados clássicos por muitos jogadores. Embora a era dos fliperamas tenha passado, o nome Contra ainda brilha na história dos videogames.

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