Jogabilidade e design
O combate em Ring of Fates é em tempo real, com o jogador controlando o personagem diretamente em uma visão de cima para baixo. Ataques básicos podem ser combinados em combos, com ritmo ágil e resposta precisa. A tela de toque é usada para menus e seleção de armas; segurar o botão R pausa o tempo e permite mirar nos inimigos para desferir ataques especiais. Essa integração entre toque e botões é natural e aproveita bem o dual screen do DS.
Quatro raças estão disponíveis, cada uma com papel definido: Clavats são equilibrados, ideais para iniciantes; Lilties têm alta defesa e HP, servindo como tanques; Yukes são magos poderosos, mas frágeis; e Selkies são ágeis, especializados em ataques à distância. Além das diferenças de atributos, cada raça possui armas e habilidades únicas, incentivando a combinação de equipes e dando variedade à rejogabilidade.
O modo multiplayer é o coração do jogo, permitindo que até quatro jogadores cooperem via conexão local sem fio. Há dois modos: missão, ligado à história, e livre, onde se explora mapas, enfrenta inimigos e coleta recursos. Como o multiplayer é apenas local, os jogadores precisam estar juntos fisicamente, o que reforça a comunicação e a camaradagem, tornando a experiência mais divertida.
O sistema de magia é essencial no combate. Feitiços consomem cristais mágicos, obtidos de inimigos ou baús, mas com limite de carga, exigindo uso estratégico. É possível combinar cristais de elementos diferentes para criar feitiços mais fortes, como fogo e vento. Essa gestão de recursos adiciona profundidade tática, evitando o uso indiscriminado de magias.
Além do combate, há elementos leves de quebra-cabeça e exploração. Mapas escondem baús e passagens secretas, e alguns mecanismos exigem habilidades específicas de certas raças, promovendo a cooperação no multiplayer. No modo single player, o foco é a história, com o jogador controlando Yuri e acompanhando seu desenvolvimento. No geral, o jogo equilibra bem ação e RPG, agradando tanto a fãs de ação quanto de RPG.
Contexto e lançamento
Ring of Fates é o segundo título da série Final Fantasy Crystal Chronicles, mas sua história não continua o primeiro jogo; em vez disso, é uma prequela que se passa 8000 anos antes, na Era de Ouro. Nessa era, o mundo é protegido por um Grande Cristal, cujo poder mantém o equilíbrio de tudo, e a trama gira em torno desse cristal. Para quem jogou o original, essa prequela aprofunda a mitologia da série.
Os protagonistas são os irmãos Yuri e Chelinka, que possuem poderes mágicos inatos e se veem envolvidos em um conflito pelo Grande Cristal. A história começa de forma trágica: o pai deles, Lartov, é assassinado, e Chelinka fica muda, comunicando-se apenas por telepatia com o irmão. O jogador controla Yuri, que busca descobrir a verdade e enfrentar vilões como Galdus, líder da Aliança Lunite, e o enlouquecido Cu Chaspel.
O jogo foi anunciado em maio de 2006, junto com Crystal Bearers para Wii, com desenvolvimento já em 60%. A notícia animou os fãs, pois a série teria títulos em duas plataformas. Ring of Fates foi lançado no Japão em 23 de agosto de 2007, e depois na América do Norte, Austrália e Europa em março de 2008. Apesar da espera, os jogadores ocidentais estavam ansiosos pelo RPG cooperativo no DS.
As vendas foram boas: no Japão, vendeu 178.000 cópias na primeira semana, ficando em segundo lugar no ranking da Media Create. Até agosto de 2008, as vendas globais somavam 690.000 cópias, sendo 380.000 no Japão, 160.000 na América do Norte e 150.000 na Europa. Embora não fosse um sucesso estrondoso, foi um desempenho sólido para uma série derivada, mostrando o apelo do multiplayer no DS.
O jogo também incluiu uma medida antipirataria: cópias piratas exibiam uma tela preta aleatória com uma mensagem de agradecimento. Essa abordagem curiosa não impedia totalmente a pirataria, mas dava uma satisfação aos compradores legítimos e virou um tópico entre os jogadores.
Desenvolvimento
O desenvolvimento começou na primavera de 2006, com o criador da série, Akitoshi Kawazu, como produtor executivo e diretor executivo, definindo o tom do projeto. O diretor foi Mitsuru Kamiyama, que havia sido programador-chefe no primeiro Crystal Chronicles; este foi seu primeiro trabalho como diretor. Sua experiência técnica e visão de design contribuíram para o controle fino dos detalhes.
O roteiro foi escrito por Hiroaki Kikuta, que também atuou como designer-chefe. Essa dupla função permitiu integrar a narrativa ao design das fases, garantindo que o ritmo da história e a jogabilidade se complementassem. A produtora Kiyoko Maeda coordenou as equipes. O desenvolvimento ocorreu em paralelo com Crystal Bearers para Wii, mas os dois jogos têm estilos distintos, com este mantendo o foco na cooperação multiplayer.
Uma decisão crucial foi sobre o multiplayer. Inicialmente, considerou-se o modo online, com protótipos, mas optou-se por apenas local. Os desenvolvedores acreditavam que a comunicação face a face era essencial para a diversão cooperativa, e o online diminuiria essa experiência. Essa escolha limitou o alcance, mas fortaleceu o núcleo do jogo, adequado ao DS, um portátil para encontros.
Devido às limitações do DS, a equipe adotou um estilo de personagens chibi, que reduzia a contagem de polígonos e mantinha a taxa de quadros estável. O diretor de arte e designer de personagens foi Toshiyuki Itahana, que já havia trabalhado no primeiro jogo. Além disso, o modo single player inicialmente mostrava apenas um companheiro, mas para tornar o jogo mais interessante, a equipe reprogramou para exibir todos os companheiros, aumentando o trabalho, mas melhorando a vivacidade.
A música foi composta por Kumi Tanioka, que usou instrumentos antigos para evocar a Era de Ouro. O tema de abertura, "Hoshi no Nai Sekai", foi escrito e interpretado pela cantora pop aiko, lançado como single em 22 de agosto de 2007, um dia antes do jogo. Essa colaboração com uma artista pop foi rara na série e trouxe um toque suave, bem recebido pelos fãs.
Recepção e legado
Ring of Fates recebeu críticas geralmente positivas. A revista japonesa Famitsu deu 35/40 (9/8/9/9), elogiando gráficos, música e multiplayer. No entanto, publicações ocidentais como a Nintendo Power foram mais mornas, considerando a história e os sistemas conservadores. Essa diferença reflete as expectativas distintas entre os públicos.
Apesar das críticas mistas, o jogo recebeu algumas honras. A IGN o indicou ao prêmio de Melhor História de 2008, reconhecendo o esforço narrativo. Para um jogo focado em multiplayer, essa indicação é notável e mostra que a trama tinha méritos.
A medida antipirataria gerou discussões entre os jogadores. A tela preta com mensagem de agradecimento era uma punição suave, que não bloqueava totalmente o jogo, mas dava uma sensação de superioridade aos que compraram. Embora simples, foi uma tentativa inovadora na época e virou um tópico de conversa.
O tema "Hoshi no Nai Sekai" e a trilha sonora foram lançados, assim como uma partitura para piano, expandindo os produtos derivados. Para os fãs de música de jogos, a trilha de Tanioka e a voz de aiko são itens de colecionador, deixando uma marca no aspecto musical.
Como prequela, Ring of Fates preencheu lacunas na história antes do primeiro jogo, aprofundando a mitologia da série. Embora não tenha inovado como o original, ele entregou uma experiência cooperativa de RPG no DS, estabelecendo as bases para títulos futuros como Echoes of Time. Para fãs de jogos cooperativos e da série Final Fantasy, este jogo ainda merece ser revisitado.







