Jogabilidade e design
The King of Fighters EX2: Howling Blood mantém o clássico modo de batalha em equipes de três, onde o jogador escolhe três personagens antes da partida e os usa em sequência. Esse design deixa o ritmo das lutas mais intenso e exige que o jogador entenda bem as combinações de personagens. Um dos sistemas centrais é o suporte "Striker", que permite chamar um personagem reserva para executar um ataque especial durante a luta, adicionando imprevisibilidade ao combate. Essa mecânica vem do arcade The King of Fighters 2000, mas foi ajustada para o GBA, com controles adaptados ao layout de botões do portátil.
Os controles melhoraram bastante em relação ao antecessor The King of Fighters EX: Neo Blood, com comandos mais responsivos e combos mais fluidos. A equipe de desenvolvimento otimizou a detecção de golpes para o portátil, permitindo que os jogadores tivessem uma experiência próxima à dos arcades mesmo em dispositivos portáteis. Além disso, o jogo oferece vários modos, incluindo Arcade, História, Single e Versus, atendendo a diferentes perfis de jogadores. O modo História traz uma trama original, onde o jogador acompanha Kyo Kusanagi e outros na missão de impedir o ressurgimento de Orochi.
O elenco é um dos grandes destaques, com 21 personagens jogáveis, incluindo favoritos da série como Kyo Kusanagi, Iori Yagami, Terry Bogard e Mai Shiranui, além dos originais do jogo anterior, Moe Habana e Reiji Oogami. Cada personagem mantém seu estilo de luta característico, desde os golpes de fogo de Kyo até os ataques com leque de Mai, todos bem representados. Para os fãs da série, esses personagens trazem uma sensação de familiaridade, enquanto os novos adicionam um toque de novidade.
Os gráficos e áudios foram aproveitados de The King of Fighters 2000, com retratos dos personagens e cenários de batalha em alto nível. Apesar das limitações do GBA, o jogo consegue um visual próximo ao dos arcades graças a sprites detalhados e animações fluidas. No áudio, as músicas e efeitos sonoros também vêm do arcade, e embora o som do portátil seja limitado, a atmosfera geral é bem construída. Algumas críticas apontaram falhas na qualidade do áudio, provavelmente devido às restrições de hardware.
O port para N-Gage, intitulado The King of Fighters Extreme, trouxe ajustes na jogabilidade, sendo o mais notável a luta contra o chefe final usando um único personagem, provavelmente para se adaptar ao layout de botões do N-Gage. Além disso, o port corrigiu alguns bugs do GBA, mas introduziu novos problemas, como instabilidade na taxa de quadros e animações travadas. Mesmo assim, a experiência central de combate foi mantida, oferecendo uma alternativa para quem não tinha o GBA.
Contexto e lançamento
The King of Fighters EX2: Howling Blood é o segundo título da série EX, sucedendo The King of Fighters EX: Neo Blood, lançado em 2002 como a primeira incursão da SNK no GBA. O jogo foi lançado no Japão em 11 de dezembro de 2003 e depois publicado pela Atlus no Ocidente. Como um spin-off portátil, não faz parte da numeração oficial dos arcades, sendo uma série derivada com história própria, criada para oferecer uma experiência única de The King of Fighters em plataformas portáteis.
A história se passa após os eventos de The King of Fighters EX: Neo Blood, mas não segue o arco NESTS de The King of Fighters 2000 ou 2001, retornando ao arco de Orochi. A trama gira em torno de Kyo Kusanagi e seus aliados, que participam de um novo torneio organizado pelo misterioso Sinobu Amou, com o objetivo de impedir o ressurgimento de Orochi. Essa premissa contrasta com a linha principal dos arcades, oferecendo aos fãs algo familiar e ao mesmo tempo novo.
A história é original e foca em Kyo e nos membros do time dos Três Tesouros Sagrados, que selaram Orochi. Eles descobrem que Sinobu Amou planeja reviver Goenitz e decidem entrar no torneio para frustrar seus planos. Essa escolha de voltar ao arco de Orochi era incomum na época, já que os arcades estavam no arco NESTS, e trouxe uma sensação nostálgica para os jogadores mais antigos.
O lançamento no Ocidente ocorreu no auge da vida útil do GBA, quando jogos de luta no portátil eram raros, preenchendo um vazio no mercado. A Atlus, como publicadora, destacou a história original e o elenco de personagens na divulgação, atraindo a atenção dos fãs da série. Apesar das limitações do GBA, que impediam que gráficos e som alcançassem o nível dos arcades, o jogo foi bem recebido.
Em 2004, o jogo foi portado para N-Gage com o nome The King of Fighters Extreme. O port foi desenvolvido pela Hudson Soft e publicado pela Nokia na Europa, com equipes diferentes das do GBA. O conteúdo básico foi mantido, mas houve ajustes para as características da plataforma, como a luta contra o chefe final com um único personagem. Esse port expandiu o alcance do jogo para os usuários de N-Gage.
Desenvolvimento
The King of Fighters EX2: Howling Blood foi desenvolvido pela Marvelous Entertainment, que já havia trabalhado em The King of Fighters EX: Neo Blood, portanto conhecia bem o ambiente de desenvolvimento do GBA. Durante a produção, o jogo usou diretamente素材 de The King of Fighters 2000, incluindo retratos, cenários e áudio, o que reduziu o tempo de desenvolvimento e garantiu consistência visual. No entanto, isso também significou que não houve grandes avanços técnicos, sendo mais um refinamento do que veio antes.
A equipe focou em melhorar a jogabilidade e o equilíbrio do sistema. O antecessor foi criticado por controles lentos, então este jogo recebeu muitos ajustes na entrada de comandos e na detecção de combos. A introdução do sistema Striker adicionou profundidade estratégica, mas também dificultou o balanceamento. A equipe testou repetidamente para tentar recriar a sensação dos arcades no portátil.
Há divergências sobre o desenvolvedor: o Wikidata lista SNK Playmore, enquanto outras fontes indicam Marvelous Entertainment. Isso pode ser porque a SNK, como detentora dos direitos, supervisionou e forneceu素材, enquanto a Marvelous cuidou do desenvolvimento em si. Esse tipo de parceria era comum em jogos portáteis da época, mas os detalhes da divisão de trabalho não foram divulgados.
O port para N-Gage foi desenvolvido pela Hudson Soft, conhecida por séries como Bomberman. A Hudson teve que adaptar o código do GBA para a arquitetura do N-Gage, o que não foi tarefa fácil. Como a tela e os botões do N-Gage eram diferentes, a equipe precisou ajustar alguns controles, como a luta contra o chefe final com um único personagem, para se adequar ao número de botões.
Durante o desenvolvimento, também foram consideradas as necessidades dos jogadores de diferentes regiões. A versão japonesa foi publicada pela Marvelous, enquanto a ocidental foi pela Atlus, com estratégias de marketing distintas. A Atlus enfatizou a história original e o elenco, enquanto a versão japonesa focou nas expectativas dos fãs da série. O jogo também suportava batalhas de dois jogadores via cabo link do GBA, um recurso comum na época, mas a equipe otimizou a estabilidade da conexão.
Recepção e legado
The King of Fighters EX2: Howling Blood recebeu críticas geralmente positivas após o lançamento, com uma pontuação no Metacritic indicando "críticas favoráveis". Vários veículos elogiaram os gráficos e os modelos dos personagens; a GameSpy elogiou a apresentação visual e recomendou o jogo a todos os fãs de The King of Fighters. A IGN deu nota 8 (de 10), destacando melhorias significativas em relação ao antecessor e controles mais responsivos. A GameSpot deu 8,5, elogiando a apresentação e a quantidade de diálogo, mas criticando a qualidade do áudio.
A GameSpot também elegeu o jogo como o melhor jogo de Game Boy Advance de janeiro de 2004, refletindo sua popularidade na época. No entanto, houve opiniões divergentes: a Game Informer considerou o jogo um port de The King of Fighters 2001, sem inovação, apesar dos personagens exclusivos e controles melhorados. A GameZone apontou uma tendência a depender de botões de repetição, o que poderia afetar a experiência de jogadores mais hardcore.
O port para N-Gage, The King of Fighters Extreme, teve recepção mista. A GameSpot deu uma avaliação positiva, mas criticou os bugs; a IGN deu 7,2, mencionando problemas de frame rate; a MeriStation deu 8, elogiando o conteúdo e a jogabilidade; e a Jeuxvideo criticou as animações ruins dos personagens, que tornavam as lutas lentas, dizendo que a série não foi bem tratada no N-Gage. Essas diferenças refletem as deficiências técnicas do port.
Como um título portátil, o jogo teve um papel importante na série The King of Fighters. Ele provou que era possível oferecer uma experiência de luta próxima à dos arcades em plataformas portáteis, abrindo caminho para futuros jogos portáteis. Embora não tenha continuado o arco NESTS, optando por retornar ao arco de Orochi, essa escolha trouxe nostalgia aos fãs antigos e diversificou a narrativa da série.
No geral, The King of Fighters EX2: Howling Blood foi um sucesso no GBA, com melhorias nos controles e um elenco bem recebido, apesar de alguns defeitos técnicos. É lembrado como um dos melhores jogos de luta portáteis da série e ainda é apreciado por alguns jogadores. Para os fãs de The King of Fighters, é um clássico que vale a pena experimentar.







