Jogabilidade e design
Em The Legend of Zelda: Link's Awakening DX, o jogador controla Link em uma aventura de ação e exploração com visão de cima para baixo, seguindo a tradição da série. Pela primeira vez, Link pode pular, e há fases de rolagem lateral, o que torna o combate e a exploração mais dinâmicos. As masmorras são bem elaboradas, cada uma com tema e mecânicas únicas, exigindo o uso inteligente dos itens para resolver quebra-cabeças e derrotar os chefes.
Este jogo introduziu na série minijogos de troca de itens, pesca e o aprendizado de músicas com a ocarina. Esses elementos não são meros extras; eles estão integrados à história principal: por exemplo, as músicas da ocarina podem teletransportar Link ou mudar o clima, e as trocas de itens são essenciais para avançar na trama. Esses recursos se tornariam comuns em jogos futuros da série, mas na época eram inovações que ofereciam diversão além da campanha principal.
O jogo permite roubar itens da loja, mas isso tem consequências: o nome de Link muda para 'THIEF' e, ao voltar à loja, o dono o derruba. Esse detalhe mostra como o jogo reage às ações do jogador, aumentando a sensação de realismo do mundo. Além disso, é possível coletar 'Conchas Secretas' escondidas pelo mapa; ao juntar 20, Link ganha uma espada poderosa que dispara feixes de energia quando ele está com a vida cheia, incentivando a exploração.
Os habitantes da Ilha Koholint são bem variados, e o velho tímido Ulrira se comunica com Link por telefone, algo raro na época. A ilha também conta com personagens de outros jogos da Nintendo, como Wart, Yoshi e Kirby, que não são apenas easter eggs, mas estão integrados ao mundo do jogo, surpreendendo os jogadores e reforçando o tom leve e humorístico da aventura.
A versão DX adicionou uma masmorra baseada em cores, que não pode ser acessada no Game Boy monocromático, sendo exclusiva da versão colorida. Após completá-la, o jogador pode escolher entre uma túnica vermelha ou azul, que dão diferentes benefícios a Link. Além disso, a versão DX é compatível com o Game Boy Printer, permitindo tirar e imprimir fotos dentro do jogo, até 12 no total. Esses extras aproveitam ao máximo o hardware do Game Boy Color, oferecendo novas experiências aos veteranos.
Contexto e lançamento
O The Legend of Zelda: Link's Awakening original foi lançado em 1993 para Game Boy, sendo o primeiro jogo portátil da série. Antes disso, a franquia se desenvolvia principalmente em consoles domésticos, e o lançamento de Link's Awakening marcou a expansão da série para o mercado portátil. Este jogo também é um dos poucos que não se passa em Hyrule, não apresenta a Princesa Zelda nem a Triforce, uma quebra de convenção que o torna único na série.
Em 1998, a Nintendo lançou o Game Boy Color, e Link's Awakening DX surgiu como um dos títulos de lançamento para promover o novo console. A versão DX adicionou gráficos coloridos ao jogo original, além de uma masmorra exclusiva e o recurso de câmera. Vale notar que a versão DX é compatível com o Game Boy original, mas a masmorra colorida só pode ser acessada na versão colorida, o que agrada aos jogadores antigos e incentiva a atualização de hardware.
O lançamento da versão DX ocorreu logo após o lançamento do Game Boy Color, e a Nintendo claramente queria usar esse clássico para promover o novo hardware. De fato, a melhoria gráfica é notável, com cores vibrantes e detalhes ricos, mostrando o potencial do Game Boy Color. Ao mesmo tempo, a versão DX manteve o conteúdo essencial do original, permitindo que os veteranos revivessem a aventura de uma nova forma.
Após o lançamento da versão DX, o Link's Awakening original continuou popular entre os jogadores. Em 2004, o original havia vendido 3,83 milhões de cópias, e a versão DX, 2,22 milhões, totalizando mais de 6 milhões, comprovando a popularidade deste Zelda portátil. Em 2011, a versão DX foi disponibilizada para o Nintendo 3DS via Virtual Console, permitindo que uma nova geração de jogadores experimentasse o clássico.
Em julho de 2013, a versão DX foi oferecida gratuitamente aos membros do Club Nintendo na América do Norte, mostrando o valor que a Nintendo dá a este título. Apesar do remake em HD para Switch em 2019, a versão DX continua sendo um representante importante da era Game Boy Color e ocupa um lugar especial no coração dos fãs. Este verbete foca na versão DX de 1998 e não aborda o remake posterior.
Desenvolvimento
O desenvolvimento de Link's Awakening começou como um projeto não oficial: inicialmente, a equipe tentava portar A Link to the Past para o Game Boy, mas sob a orientação de Takashi Tezuka, o projeto evoluiu para um jogo original. Tezuka, veterano da série, queria criar um novo Zelda para o portátil, não uma simples conversão, o que estabeleceu as bases para o jogo.
A história e o roteiro foram escritos por Yoshiaki Koizumi e Kensuke Tanabe, que construíram um mundo cheio de mistérios. Tezuka queria que o mundo do jogo tivesse a atmosfera da série de TV Twin Peaks, por isso os habitantes e eventos da Ilha Koholint têm um ar misterioso e surreal. Essa influência é evidente no cenário onírico e nos personagens estranhos, criando uma atmosfera única durante a exploração.
O desenvolvimento levou um ano e meio, e a maior parte da equipe de A Link to the Past participou, garantindo a qualidade e a consistência do estilo. Durante o processo, a equipe focou em criar personagens com 'tipos suspeitos', tornando os habitantes da ilha distintos e até excêntricos, em contraste com os personagens tradicionais da série, o que se tornou uma marca do jogo.
A música foi composta por Minako Hamano, Kōji Katō e Kazumi Totaka, sendo Katō sua primeira participação em um projeto de jogo. A trilha sonora mistura vários estilos, incluindo melodias clássicas da série e faixas originais, enriquecendo o mundo do jogo. A música combina perfeitamente com as cenas, transmitindo as emoções certas, seja em vilarejos pacíficos ou masmorras tensas.
O desenvolvimento da versão DX foi supervisionado por Takashi Tezuka, com direção de Yoshinori Tsuchiyama e assistência de Nobuo Matsumoto no roteiro. A equipe manteve o conteúdo original, otimizou para o hardware do Game Boy Color e adicionou a masmorra colorida e o recurso de câmera. Esses novos elementos não são meros acréscimos, mas se integram ao design geral, mostrando a compreensão da equipe sobre o hardware.
Recepção e legado
O Link's Awakening original foi um grande sucesso comercial, vendendo 3,83 milhões de cópias até 2004, e a versão DX vendeu 2,22 milhões, totalizando mais de 6 milhões, comprovando a popularidade deste Zelda portátil. Em termos de crítica, o original tem uma média de 90% no GameRankings, e a versão DX, 91%, ambos amplamente elogiados.
A versão DX recebeu nota máxima da IGN, e a GameSpot elogiou o suporte à câmera e os detalhes de cor. Essas avaliações reconheceram as melhorias técnicas e o conteúdo adicional da versão DX. Além disso, o original ganhou o prêmio de Jogo Portátil do Ano e Melhor Propaganda no Golden Joystick Awards de 1993, e vários prêmios de categoria Game Boy no Nintendo Power Awards de 1993, mostrando o reconhecimento da indústria e dos jogadores.
A Electronic Gaming Monthly, em 1997, classificou o original como o 28º melhor jogo de console de todos os tempos, dizendo que 'supera o Zelda do Super Nintendo em escala e escopo'. Embora essa afirmação seja um tanto exagerada, reflete a inovação e a profundidade de Link's Awakening na época. O jogo ofereceu uma experiência comparável à dos consoles domésticos no portátil, estabelecendo um padrão para futuros Zeldas portáteis.
Muitos elementos de design de Link's Awakening tiveram um impacto duradouro nos jogos seguintes da série. Por exemplo, mecânicas como troca de itens, minijogo de pesca e músicas de ocarina foram herdadas e desenvolvidas em títulos posteriores. Os personagens convidados e os elementos de quebra da quarta parede também refletem seu estilo de 'paródia', um humor único na série que influenciou alguns trabalhos futuros.
A versão DX, como um dos primeiros jogos do Game Boy Color, não apenas demonstrou o potencial do novo hardware, mas também consolidou a posição de The Legend of Zelda no mercado portátil. Em 2011, a versão DX foi lançada no Virtual Console do 3DS, permitindo que uma nova geração de jogadores experimentasse o clássico. Apesar do remake para Switch em 2019, a versão DX, como a versão colorida do original, ainda ocupa um lugar especial no coração dos fãs e é uma página inesquecível na história dos portáteis da Nintendo.







